Do escritório para a passarela

Carioca da gema, Paula Tainá é administradora, concursada pública do estado do Rio e modelo. Com apenas 22 anos, Paula Tainá já carrega alguns títulos do mundo da passarela. Apesar de ter começado a carreira de modelo aos 18 anos, ela já foi “Miss Universo Angra dos Reis” e neste mês foi uma das finalistas do concurso “Rainha Rio 450 anos”. A carioca conversou com o Portal O Rio e contou como concilia as duas carreiras, como surgiu seu interesse pela passarela e até revelou o que jamais faria – mesmo se a proposta fosse tentadora, quase irrecusável.

De onde surgiu seu interesse pela passarela e carreira de modelo?

Quando o missólogo Andrei Lara me descobriu, eu participei do concurso Miss Universo Angra dos Reis, realizado na Ilha de Caras, em janeiro de 2010, e tive a felicidade de vencer o mesmo. Desde então muitas portas se abriram e comecei a trabalhar como modelo fotográfica. Na época eu tinha 18 anos…

Você faz alguns trabalhos como modelo, mas se formou em administração. Você nunca quis ficar apenas com o trabalho da carreira artística?

Não. Eu sempre coloquei os trabalhos como modelo em segundo plano, pois é um mercado de trabalho muito disputado, instável e de médio prazo, uma vez que, em geral, a beleza socialmente aceita acaba anos antes de uma possível aposentadoria. O tempo  prejudica ou até desqualifica a principal ferramenta de trabalho de uma modelo, a imagem, e eu não quero estar sujeita a perder um emprego por causa de umas ruguinhas. Eu cresci testemunhando as dificuldades financeiras do meu pai, que é comerciante, e sempre batalhei para conquistar uma carreira estável, por isso me formei e depois de muito estudo consegui passar em um concurso público, mas sempre modelando em paralelo.

Como você concilia as duas carreiras?

É muito gratificante poder exercer minha profissão (sou formada em Administração Empresarial, pós-graduada em Administração Pública, servidora pública estadual e trabalho na Assessoria de Planos e Orçamento da Fundação CECIERJ), pela qual sempre fui apaixonada, e ainda conciliar com trabalhos como modelo. Eu sou 100% dedicada às responsabilidades que assumo, então administro meu tempo de forma que eu possa atender às demandas de ambas as carreiras, mesmo que seja comendo algumas frutinhas enquanto faço as planilhas orçamentárias no escritório ou subindo 10 andares de escada todo dia para chegar ao meu apartamento.

Conte sobre seus principais trabalhos como modelo…

Meu primeiro trabalho fotográfico foi para o calendário The Girls – criado pelo meu amigo e publicitário Amauri Guimarães -, fui Miss Angra dos Reis em 2010, já fiz campanhas para marcas de roupa (como por exemplo a Alessa e a Blueman Brasil), para lojas e boutiques no município do Rio de Janeiro e também para empresas, como é o caso da RV Tecnologia, que durante a sessão de fotos descobriu meu potencial para me expressar e falar em público, e abriu portas para explorar um outro trabalho paralelo: a apresentação de congressos e eventos corporativos. Como apresentadora eu já trabalhei no Rio, em Natal, em São Paulo, e ainda em Vancouver, no Canadá.

Como foi ficar entre as finalistas do concurso “Rainha Rio 450 anos”?

Foi uma experiência enriquecedora, maravilhosa e carioquíssima. Tivemos aulas e ensaios com profissionais de altíssima qualidade, como André Vagon, Patrick Dadalto e Carlinhos de Jesus. Visitamos lugares incríveis do Rio de Janeiro, pontos turísticos memoráveis e eu particularmente realizei um sonho: não só beijei, mas também deitei e rolei, literalmente, no gramado do Maracanã. Eu cresci como pessoa e como mulher, aprendi lições que vou levar para toda vida e fortaleci ainda mais este espírito carioca que Vinicius de Moraes tão sabiamente definiu.

E como foi não ser a ganhadora? Analisando friamente você vê algum motivo para não ter sido sua a vitória?

Todas entramos sonhando com a coroa e não somos hipócritas para negar isso, mas foi uma disputa saudável. Além disso, o concurso foi televisionado e teve uma repercussão enorme, o que acaba por originar outras oportunidades para as participantes e principalmente para as finalistas, que tiveram maior visibilidade. Graças a Deus alguns trabalhos e propostas estão surgindo, então já estou muito feliz. Quanto à vitória, conquistada pela representante da Rocinha – Rafaella Lemes – acho que foi apenas uma consequência das atitudes dela e de uma série de acontecimentos sociais e políticos. Mas, respondendo à pergunta, vejo sim um motivo para não ter sido a vencedora: não foi a vontade de Deus.

Paula Tainá diz que nunca posaria nua (Fotos: Arquivo Pessoal)
Paula Tainá diz que nunca posaria nua (Fotos: Arquivo Pessoal)

Qual o trabalho mais inusitado/divertido/diferente que você já fez até hoje?

O mais divertido foi um congresso no qual eu era a apresentadora mas também participei das atividades planejadas, dentre elas gincanas, pegadinhas e surpresas preparadas pelos organizadores para descontrair e discutir os temas da empresa de uma forma mais dinâmica. Depois de alguns micos como trava-línguas no meio do meu texto ou pegadinhas de susto no púlpito durante as minhas falas, ainda fui chamada pra ser assistente no show de mágica da noite de encerramento e me vi vestida à caráter bem no meio do palco, mas como qualquer truque ninguém viu nada, é claro.

Qual trabalho você recusaria até se a proposta fosse tentadora, quase irresistível?

Posar nua. Eu não teria coragem de me submeter a esse tipo de exposição, independente da proposta.

O que você mais gosta no seu corpo e percebe que ajuda na carreira de modelo?

Meu tipo de corpo em si, que traduz um perfil de mulher brasileira, eu acredito que seja um facilitador, principalmente porque sigo uma carreira de modelo fotográfica e não de passarela. Isso me faz trabalhar com uma fatia de mercado mais comercial, enquanto as modelos de passarela, mais magras e mais altas, abrangem um perfil que costumamos chamar de “fashion”.

Há muitos casos em que vemos modelos brasileiras e até internacionais morrendo por anorexia ou outros distúrbios parecidos. Como você enxerga essa cobrança individual, e também do mercado, pela magreza que muitas vezes torna-se obsessiva?

Não se pode negar que as cobranças estéticas da sociedade moderna atingem não só o mundo da moda, mas também a vida de milhares de jovens (mulheres e homens) que muitas vezes não percebem os limites deste padrão distorcido de beleza. Eu mesma confesso que já me vi tentada à fazer dietas radicais para manter estes padrões, mas a orientação do meu pai, professor de educação física, e ainda as comidinhas irresistíveis da minha mãe, nunca me permitiram ceder a essa doença que pode comprometer diversas funções vitais e até causar a morte em casos mais graves.

Como você enxerga o mercado no Brasil?

Apesar das mulheres brasileiras serem lindíssimas, essa fama da beleza nacional não reflete a realidade do mercado no país. Infelizmente são poucas as modelos que conseguem construir uma carreira estruturada, e mais difícil ainda as que levam seu trabalho para o âmbito internacional. Claro que para toda regra existe uma Gisele Bündchen, mas em geral são poucas as que de fato alcançam o patamar desejado.

About Bianca Garcia

Co-fundadora do Portal O Rio, Bianca Garcia administra, edita e produz conteúdo para o site e para as redes sociais. Com experiência em jornal impresso e mídia social, a jornalista formada pela FACHA é também graduanda de Letras/Literatura pela UFF e pós-graduanda em Gestão Estratégica da Comunicação pelo IGEC.

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