Deia Cassali: uma mulher em ascensão no rock brasileiro

Há oito anos na carreira musical, Andréa Ribeiro, a Deia Cassali, agora segue em carreira solo. Após passar pelas bandas Pruf e Agnela, a cantora acaba de lançar o clipe da música Sinestesia e aposta em novidades. Com apenas 26 anos, Deia, que é também estudante de Letras, iniciou a carreira na Zona Oeste e confessou ao Portal O Rio as dificuldades e os preconceitos em ser uma cantora de rock no Brasil. Além disso, a artista falou também sobre sua carreira e projetos. Confira!

Como ingressou na carreira musical?
Minha história começou com a Pruf, minha primeira banda que em dois anos se tornou Agnela devido ao quadro “Olha a Minha Banda” do programa Cadeirão do Hulk. Tudo mudou, a música havia se tornado uma carreira, um sonho, um objetivo de vida.

O que a Agnela foi para você?
A Agnela foi uma fase muito boa da minha vida. Foi a fase que deu início a tudo. Era um sonho dividido por cinco pessoas. Fomos lançadas num quadro que mudou muito a vida das integrantes. Foi uma época de muitas lembranças, boas e ruins, como toda experiência da vida, mas acho que as boas é que são válidas. Tocamos pelo Brasil, conhecemos pessoas incríveis e tocamos em palcos que jamais imaginaríamos tocar. Tivemos sorte, ou ajuda de Deus, quem sabe. Tivemos um momento maravilhoso, aprendemos muitas coisas com relação à vida, mas, infelizmente, todos nós temos nossas diferenças e essas diferenças acabaram nos separando. É isso, banda é um casamento e como um casamento, às vezes dá certo e às vezes não.

Como foi o processo da carreira solo?
Em 2013, decidi começar o meu projeto paralelo após uma conversa com as integrantes da Banda Agnela. Elas também decidiram dar um tempo e sem data prevista para volta. Comecei com uma influência mais pop folk, trazendo composições próprias antigas que ainda não haviam sido gravadas. Em 2014, com o fim da Agnela, decidi iniciar minha carreira solo, onde efetivamente eu estaria voltando para o que eu amo fazer, meu velho rock. Como o meu trabalho é independente, as coisas demoraram um pouco a sair, por falta de recursos e também por preciosidade e cuidado para que tudo saia conforme realmente merece ser, bem feito. Já tenho uma EP de cinco músicas e um vídeo clipe.

Como estão seus projetos?
Estamos em fase de mixagem e masterização das últimas músicas, mas inicialmente lançaremos uma por uma, até porque não é um CD e sim um EP.  Esperamos que a resposta seja boa, porque nessa minha nova carreira estou fazendo um som totalmente diferente do que eu imaginava que pudesse fazer. Estou misturando elementos que estão me surpreendendo. Minhas influências estão variadas, que vai desde Skrillex do eletrônico a The Pretty Reckless do rock.

Quais são as expectativas para a música Sinestesia?
As expectativas são as melhores. Afinal, a música está vindo com um diferencial muito grande. Apostamos muito em novidades e referências novas, mas na realidade, tudo está fluindo muito naturalmente, como se as coisas realmente já estivessem predestinadas a ser dessa forma. O lançamento do eletrônico será dia 30 de setembro, as pessoas poderão comprar a música no Itunes ou no site.

Fale um pouco sobre a Sinestesia…
Sinestesia é uma música que já compus há muito tempo. Eu estava ansiosa para lançá-la porque sou apaixonada por essa música e como alguns fãs conhecem, esses que conhecem, também gostam muito! Particularmente, a letra fala de frustração. Quando menciono a palavra sinestesia faço uma brincadeira com a loucura, pois a sinestesia é uma característica que algumas pessoas desenvolvem, onde misturam os sentidos. Então, na realidade a música é uma mistura em si, a sinestesia representa a música para ser sentida e não simplesmente ouvida.

O que é ser mulher em uma banda de rock no Brasil?
É foda! Difícil para cacete, desculpe o palavreado. O preconceito está aí, aqui e onde formos. As pessoas já te olham com olhos vulgares e cheios de pré julgamentos. Nunca ouviram sua música, muito menos trocaram uma palavra com você e mesmo assim continuam julgando. Eu tenho várias colegas do meio Rock e até hoje não vi uma que não tenha sofrido algum tipo de pré julgamento. São portas fechadas aqui, algumas propostas indecentes ali, algumas engolidas de sapo e enquanto isso a gente vai levando, tentando quebrar o sistema e rachar a cara dos preconceituosos de má fé. Só fazendo uma observação: muitas, mas muitas vezes mesmo, o preconceito vem também do sexo feminino. Isso é o que mais entristece.

Três perguntas para Deia Cassali…

O que é música para Deia?
Meu chão.

O que a Deia ouve?
Nossa! De tudo. Agora Imagine, vamos de Gipsy Kings até Korn. Na minha playlist tem de tudo, menos funk, axé, pagode e sertanejo universitário.

Um sonho?
Em andamento. Estou vivendo em busca de realizá-lo. É o mesmo sonho da galera da música. Poder rir e chorar em um palco lotado de pessoas cantando sua música.

 

 

About Juliana Torres

Co-fundadora do Portal O Rio, Juliana Torres administra, edita e produz conteúdo para o site e para as redes sociais. A jornalista, que é pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação, já passou por assessorias de comunicação e redações de jornais impressos.

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