Despedida da SAAB

O SAAB 9000 CD foi importado para o Brasil pela GM em 1991 (Foto: Wikipedia Commons)
O SAAB 9000 CD foi importado para o Brasil pela GM em 1991 (Foto: Wikipedia Commons)

Conhecida pela espetacular Volvo e a fora de série Koenigsegg, a lista de fabricantes de automóveis suecos acaba de perder um importante integrante, que já deu rolés pelo Brasil, carona para Ayrton Senna e fez parte até de produção cinematográfica. A história da SAAB, que lançou seu primeiro automóvel em 1949, está definitivamente encerrada. A National Eletric Vehicle Sweden (NEVS), consórcio sino-sueco, adquiriu, em 2012, as ações e estrutura da falida fabricante sueca com o objetivo de produzir carros elétricos, mas a ideia não foi muito longe. Nesta semana, a companhia declarou que não utilizará mais a marca SAAB em seus futuros produtos.

A última vez que se falou sobre a SAAB no Brasil talvez tenha sido durante a exibição do filme “Cinquenta tons de cinza”, em 2015, já que o Christian Grey, personagem magnata, apreciador de automóveis, deu de presente para Anastasia Steele, sua amada, um SAAB 9-3 conversível. Mas o que muita gente não sabe, ou não se recorda, é que já teve SAAB rodando nas ruas brasileiras. Não faz tanto tempo assim e não foi proeza de importador independente.

No final da década de 1960, a SAAB se juntou a outra empresa sueca, fabricante de caminhões e motores diesel – a Scania. A fusão durou até 1989, quando após uma reformulação na empresa, a General Motors (GM) comprou metade das ações da montadora de automóveis. E foi exatamente a partir daí que o Brasil entrou na história. No início da década de 1990, com a abertura do mercado brasileiro para os carros importados, começaram a pipocar por aqui alguns modelos SAAB 9000 Turbo. Em 1990-1991, a GM trouxe 50 unidades do sedã para brigar no mercado recém liberado para gigantes europeias e norte-americanas.

Em julho de 1991, a revista especializada Quatro Rodas levou um desses modelos para a pista em um teste que mostrou que o sedã esbanjava desempenho, segurança e conforto. Equipado com motor aspirado que gerava 200 CV o SAAB 9000 chegou a 100 km/h em 8,26 segundos e alcançou a máxima de 204,9 km/h. Naquela época, seus números só eram superados por esportivos, dizia a publicação. Recheado de equipamentos impensáveis para a maioria dos carros que rodava no Brasil – airbag, ABS, ar-condicionado digital e bancos elétricos – o sedã custava US$ 123 mil.

Infelizmente, o tempo passou, a história não vingou, mas uma cena se tornou inesquecível. Quando Ayrton Senna venceu seu primeiro Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1, em 24 de março de 1991, em Interlagos, o piloto foi conduzido ao pódio a bordo de um SAAB 9000 CD Turbo. Até poucos anos atrás era possível achar uns desses parados em alguma rua, tristemente abandonados, ou em estado impecável sendo vendidos a peso de raridade em sites. Ficou para a história…


Mercado

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About Sobre carros

Formado em jornalismo em 2005, Vinicius Palermo trabalha desde 2012 como editor em um jornal carioca. Apaixonado pelos automóveis e pelo Flamengo, ama a família e os animais, por quem luta por dias melhores no futuro. Acredita na máxima de plantar o bem para colher o bem.

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