“Como era bonito lá!” – Espetáculo em homenagem a Caio Fernando Abreu

Atriz Nara Keiserman (Foto: Matheus Soriedem)
Atriz Nara Keiserman (Foto: Matheus Soriedem)

Virgem com ascendente em Libra e Lua em Capricórnio. A partir do mapa astral do escritor Caio Fernando Abreu, feito pela astróloga Cláudia Lisboa, foi concebido, pela atriz Nara Keiserman, o espetáculo “Como era bonito lá!”, que estreia na Sala Multiuso do Sesc Copacabana, no próximo dia 5 de julho, para uma temporada de apenas duas semanas – de terça a quinta-feira –, às 20h. A apresentação faz parte de uma série de homenagens do Sesc ao escritor gaúcho em seus 20 anos de morte.

Amiga de Caio Fernando Abreu desde a juventude, Nara voltou aos palcos justamente para homenageá-lo, ano passado, com a peça “No se puede vivir sin amor”, cujo texto trazia um poema e cartas escritas por ele para ela. Mas agora, em “Como era bonito lá!”, o monólogo de Nara mais parece um diálogo, uma vez que ela “conversa” com Caio por meio de fotos, áudios, vídeos, textos e cartas deixados pelo escritor.

“Estou, mais uma vez, honrando a memória do meu amigo. Ele é o ator principal do espetáculo; e essa grande amizade e admiração foram a motivação para a minha volta aos palcos”, emociona-se Nara, que está feliz também pela oportunidade de trabalhar em família. Em “Como era bonito lá!”, o marido, Demetrio Nicolau, é o responsável por direção, trilha sonora e iluminação; enquanto o filho Cristiano de Abreu cuida da edição de vídeo e videografismo.

Já a opção por estruturar o texto a partir do mapa astral de Caio Fernando Abreu tem outra motivação. Ele conhecia bem a astrologia e costumava traçar o mapa astral das personagens que criava. O interesse pela metafísica, pelo esoterismo, pelas filosofias orientais e pela astrologia integrava a experiência pessoal do escritor, que levava tudo isso para sua obra. Foi pensando nisso que Nara teve essa ideia e convidou a astróloga Cláudia Lisboa, também amiga de longa data, para uma parceria.

Palavras de Cláudia Lisboa: “Para mim, ‘Como era bonito lá!’ tem a ver com como era bonito acender um incenso, falar sobre os comentários da D. Emy, nossa mestra na Astrologia,  mesclar Nara e Caio na minha vida, tudo tinturado pelo brilho das estrelas e astros que sempre nos acompanharam. ‘Como era bonito lá!’ fala de um tempo poético e trágico. De amor e descida às profundezas da alma. De dor e alegria. Sim, como era bonito lá.”

Sobre Nara Keiserman – concepção, dramaturgia e atuação

É atriz, diretora, pesquisadora e professora na Escola de Teatro da UNIRIO. Atriz e cofundadora do Núcleo Carioca de Teatro (1991 – 2001), dirigido por Luís Artur Nunes. Diretora artística do grupo Atores Rapsodos (desde 2000). Preparadora Corporal e Diretora de Movimento da Companhia Pop de Teatro Clássico (desde 1999), no Rio de Janeiro.

Mestre em Teatro pela USP, com a dissertação “A preparação corporal do ator – uma proposta didática” e Doutora pela UNIRIO, com a tese “Caminho pedagógico para a formação do ator narrador”. Pós-doutorado na Universidade de Lisboa, com pesquisa sobre “Aspectos da cena narrativa portuguesa contemporânea”.

Desenvolve Pesquisa Institucional na UNIRIO, denominada “Ator rapsodo: pesquisa de procedimentos para uma linguagem gestual”. Professora Associada na Escola de Teatro da UNIRIO, responsável pelas disciplinas de Movimento na Graduação e professora efetiva na Pós-Graduação.

Tem artigos publicados em revistas especializadas e ministra Cursos, Oficinas e Workshops sobre o Teatro Narrativo e sobre o Corpo Infinito do Ator.

Entre seus alunos, há vários atores famosos e premiados como Mateus Solano, Ana Beatriz Nogueira, Marcos Palmeira e Patrícia Pillar.

Sobre Caio Fernando Abreu

Caio Fernando Abreu nasceu Santiago do Boqueirão, RS, 1948  e morreu em Porto Alegre, RS, 1996). Contista, romancista, dramaturgo, jornalista. Muda-se para Porto Alegre em 1963 e no mesmo ano publica seu primeiro conto “O Príncipe Sapo” na revista Cláudia. A partir de 1964 cursa Letras e Arte Dramática na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), mas abandona ambos os cursos para dedicar-se ao jornalismo. Transfere-se para São Paulo em 1968, após ser selecionado, em concurso nacional, para compor a primeira redação da revista Veja. No ano seguinte, perseguido pela ditadura militar, refugia-se na chácara da escritora Hilda Hilst (1930 – 2004), em Campinas, São Paulo. A partir daí passa a levar uma vida errante no Brasil e no exterior. Fascinado pelo contracultura, viaja pela Europa de mochila nas costas, vive em comunidade, lava pratos em Estocolmo e considera a possibilidade de viver de artesanato em uma praça de Ipanema. Na década de 1980, escreve para algumas revistas e torna-se editor do semanário Leia Livros. Em 1990, vai a Londres, lançar a tradução inglesa de “Os Dragões Não Conhecem o Paraíso”. Vai para a França, em 1994, a convite da Maison dês Écrivains Étrangerset dês Traducteurs de Saint Nazaire, onde escreve a novela “BienLoin de Marienbad”. Em setembro do mesmo ano escreve em sua coluna semanal, no jornal O Estado de S. Paulo, uma série de três cartas denominadas “Cartas para Além do Muro”, onde declara ser portador do vírus HIV. Antes de falecer dois anos depois no Hospital Mãe de Deus em Porto Alegre, onde voltara a viver novamente com seus pais, Caio Fernando Abreu dedicou-se a tarefas como jardinagem, cuidando de roseiras. Ele faleceu no mesmo dia em que Mário de Andrade: 25 de fevereiro. Entre os livros de contos publicados, tem-se “Inventário do Irremediável”, “O Ovo Apunhalado”, “Pedras de Calcutá”, “Morangos Mofados”, “Os Dragões não conhecem o Paraíso”, “Ovelhas Negras”, “Estranhos Estrangeiros”. Publicou ainda romances “Limite Branco” e “Onde Andará Dulce Veiga?”, as novelas “Triângulo das Águas” e crônicas “Pequenas Epifanias” e “Teatro Completo”.

 

SERVIÇO:

Nara Keiserman – “Como era bonito lá!” – inéditos de Caio F.

Dias: 5,6,7,12,13 e 14 de julho (de terça a quinta-feira)

Horário: 20h

Local: Sala Multiuso –  Sesc Copacabana

Endereço: R. Domingos Ferreira, 160 – Copacabana

Tel.: 2547-0156

Preços

R$ 20 (inteira)

R$ 10 (meia-entrada)

R$ 5 (associados Sesc)

Capacidade: 80 pessoas

Classificação: 16 anos

Duração: 60 minutos

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