As novas caça-fantasmas e a morte da crítica

Fantasmas
O filme se trata de um reboot, recontando a história de cientistas (agora mulheres) que resolvem se tornar um esquadrão caçador de criaturas do além (Foto: Reprodução Internet)

Saiu finalmente o trailer do novo filme dos Caça-Fantasmas, icônico longa da década de 1980. O filme se trata de um reboot, recontando a história de cientistas (agora mulheres) que resolvem se tornar um esquadrão caçador de criaturas do além. O cerne é exatamente o mesmo, tirando uma mudança de pegada aqui e ali e o grande fato da mudança de gênero dos protagonistas. E o trailer chamou muito mais atenção por esse fato do que por qualquer outro.

O filme é uma homenagem aos 30 anos que a franquia completa esse ano. Um filme que marcou gerações pelo seu humor ácido, pegada meio sombria e tiradas sensacionais de Bill Murray e Dan Aykroyd. Não havia motivo algum para a mudança de gênero dos personagens exceto pelo fato de entrar na onda do protagonismo feminino que vem tomando conta do mundo. Nada contra as lutas femininas por direitos iguais, inclusive apoio. Mas trazer isso pra 7ª arte dessa forma é extremamente errado. A arte é e deve ser livre. Ela não pode ir de carona no que acontece no mundo, pois se assim for, fica escrava do momento e deixa de ter seu principal diferencial que é fazer com que o espectador se transporte para um outro mundo por algumas horas.

Porém, entretanto e todavia, isso que falei agora é praticamente impossível de se escrever em redes sociais e afins. Uma simples opinião contrária a escolha de mulheres para serem protagonistas do filme faz com que, automaticamente, a pessoa que emitiu tal opinião seja taxada de “misógina”, “machista”, “opressora” e “estuprador em potencial”. E não para por ai: quem conhece a franquia, sabe que existe um quarto membro na equipe (no original um ator negro e nesse uma atriz negra) que não é cientista mas sim um entusiasta da caça aos inimigos do além. E isso causou uma enxurrada de tweets e mensagens na página pessoal da atriz (a ótima Leslie Jones) dizendo que ela estava “maluca” de se sujeitar a um papel desses, onde ela, a única negra da equipe, era justamente a não-cientista e que isso denegria a imagem dela. Em outras palavras, dizia que o negro não tinha capacidade de ser cientista. Leslie, muito tranquila, respondeu que era apenas um filme e que o papel dela, justamente por ser o ponto fora da curva, era uma honra. Continuou sendo atacada e teve que sumir das redes sociais.

Portanto, chegamos no ponto que fica impossível se criticar um filme que aborde, mesmo que subjetivamente, minorias ou lutas sociais sem que essa crítica seja vista como social e não meramente uma crítica a obra em si.

Algo estranho acontece no mundo. Para quem devemos ligar?

About De olho na 7ª arte

Jonathan Miranda é carioca, mas não gosta de praia e ama frio. Criador e gestor do portal PlayStorm, jornalista por formação, amante da 7ª arte e apavorado por estar chegando aos 30 anos.

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2 comments

  1. Ótima crítica, concordo com tudo o que foi escrito.

  2. Jonathan Machado de miranda

    Valeu Sergio! Obrigado pelos elogios e continue acompanhando a coluna!

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