Rio Capital da bike

(Por Vinicius Palermo)

O subsecretário Altamirando Moraes anda de bicicleta na Urca, na Zona Sul: Luta por uma cidade para as pessoas e não para os carros (Foto: Ricardo Cassiano/Prefeitura do Rio)
O subsecretário Altamirando Moraes anda de bicicleta na Urca, na Zona Sul: Luta por uma cidade para as pessoas e não para os carros (Foto: Ricardo Cassiano/Prefeitura do Rio)

Em 2009, o prefeito Eduardo Paes lançou o Programa Rio Capital da bicicleta, com a meta de dobrar a malha cicloviária da cidade – que naquela época era de 150 quilômetros. Hoje, o objetivo é chegar aos 450 quilômetros de ciclovias e ciclofaixas, mas as ações do Programa, que é gerido pela secretaria municipal de Meio Ambiente, ganharam forma e ditam o ritmo das conquistas por um transporte mais saudável e sustentável.

“O projeto é para transformar a cidade em um lugar voltado primeiro para as pessoas e não para os carros. Isto inclui a melhoria da questão dos pedestres, da acessibilidade e principalmente da mobilidade sustentável, fazendo com que as pessoas utilizem transportes não motorizados”, conta o subsecretário do Meio Ambiente, Altamirando Moraes.

Foi pensando em incentivar a utilização da bicicleta, por menos carros na rua, que a secretaria municipal de Meio Ambiente, em parceria com o Banco Itaú, colocou à disposição da população carioca 2.600 bicicletas de aluguel, espalhadas por 260 estações, em diversos bairros da cidade no programa batizado de Bike Rio.

Em Copacabana, na Zona Sul, foi implementado um sistema que, se respeitado, promete dar mais segurança aos ciclistas que trefegam em meio aos carros. Nas chamadas “zonas 30”, os veículos motorizados têm que circular em velocidades menores que 30 quilômetros por hora, o que reduz muito a possibilidade de morte em caso de choque com uma bicicleta. Com exceção das avenidas principais, como Atlântica, Nossa Senhora de Copacabana e Barata Ribeiro, cerca de 40 ruas foram incluídas no sistema.

De acordo com dados da Transporte Ativo (TA), a Zona Oeste conta com a maior estrutura para a circulação de bicicletas na cidade do Rio de Janeiro, e, como já sabemos de toda a atenção dada a Zona Sul, surge a pergunta: Como fica a Zona Norte? Segundo Altamirando Moraes, a região não ficará desamparada na questão da mobilidade urbana por bicicletas.

“Na Zona Norte estamos fazendo ciclovias em Bonsucesso – na Avenida Paris e na Leopoldo bulhões. Estamos implementando uma rede de ciclovias na Maré, até a Ilha do Fundão e os dois terminais do BRT Transcarioca, um próximo ao hospital do Fundão e o outro na Avenida Brigadeiro Trompovsky, próximo à Avenida Brasil”.

Cariocas de bike

Bianca Seidl, carioca da gema, moradora do Jardim Botânico, na Zona Sul, é uma verdadeira atleta amadora, se é que esse termo existe. Ela pratica por hobby e para manter a mente e o corpo sãos, corrida e ciclismo. Para ela, é preciso estar atento em relação aos horários. “As dificuldades são muitas, a começar pelo desrespeito entre veículos x ciclistas x pedestres. Outro problema é a violência, só pedalo em horários com movimento na rua.”

Bárbara Tinoco, professora, moradora da Barra da Tijuca, na Zona Oeste, utiliza a bicicleta para trabalhar, já que mora no mesmo bairro. Ela conta que sempre gostou de pedalar, mas que o trânsito ruim na região foi o principal motivo do início das idas de bicicleta para o trabalho. A jovem conta que já foi alvo de furtos, já que não estava presente na hora do crime.

“Duas bicicletas minhas já foram furtadas enquanto eu trabalhava. Ambas estavam presas no cadeado e estavam dentro de um condomínio fechado. Depois disso comprei cadeados bem caros (o que preveniu o furto de uma terceira bicicleta, pois já voltei e encontrei o cadeado violado).”

Bárbara acredita que o respeito é fundamental na relação entre ciclistas, motoristas e pedestres. “Seguir as leis e pensar que todos fazem parte do trânsito e que cada um ‘e responsável pelos mais vulneráveis. Basicamente precisa-se de respeito”.

Rafaela Campos, publicitária, estilista e blogueira, que mora na Ilha do Governador, na Zona Norte, viajou em agosto para a Europa e contou para o Jornal O Carioca sua experiência ao pedalar pelas ruas de Amsterdã em sua estadia de 4 dias na capital holandesa. Ela ressaltou que o preço das bicicletas de aluguel é um pouco salgado para os turistas, mas nada que tire seu encantamento.

“As pessoas fazem uso desse transporte sustentável não só para passear, usam também para ir ao trabalho, é uma realidade cotidiana. Existem estacionamentos próprios para as bikes, inclusive há sinais de trânsito para bicicletas também, já que elas dividem lugar com os pedestres e os bondes. As ciclovias são extensas e percorrem Amsterdã inteira”.

Rafaela acredita que por mais que o Rio de Janeiro evolua na questão da utilização da bicicleta no dia a dia, a cidade nunca poderá ser comparada a Amsterdã. “Não acredito que o Rio possa chegar a ser comparada a Amsterdã um dia, a bicicleta lá já faz parte da cultura e já vem de muitos anos. Mas nada impede de o Rio criar sua própria cultura com relação a essa mobilidade, afinal, Amsterdã também começou do zero.”

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