Filmes que abdicam de serem filmes

Cena do filme Atividade Paranormal (Foto: Reprodução Internet)
Cena do filme Atividade Paranormal (Foto: Reprodução Internet)

Antes de ser um colunista de cinema eu já era um amante da 7ª arte. Cinéfilo, por assim dizer. E o que me fez ser tão apaixonado pela telona foi a arte, no geral. A forma como a história era contada, de tantas maneiras diferentes. Os takes de câmera, as atuações, os roteiros… Tudo me encantou (e ainda encanta). Com o passar dos anos fui ficando cada dia mais apaixonado e consequentemente crítico quanto ao que assistia. E isso, meus amigos, se torna um verdadeiro martírio.

Semana passada foi lançado no cinema “Atividade Paranormal 3D”. Se já não bastasse a franquia interminável ser insossa o bastante, ainda colocaram tudo isso em terceira dimensão. Eu sei, muita gente gosta e eu não tenho nada com isso. Mas o que me incomoda em filmes do tipo é a total falta de responsabilidade com a arte de fazer cinema. Não entenderam? Eu explico.

O cinema encanta justamente por ser uma arte. “Mas artes não são expressões livres?” Sim, meu jovem, mas mesmo assim existem algumas regras. Roteiro minimamente coeso, história com o mínimo de pontas soltas possível, propósito para acontecimentos chave, dentre outras coisas. E, quando um filme abdica de absolutamente tudo isso para cumprir um único motivo mercadológico, me desculpem, mas deixa de ser filme. A citada franquia nunca primou por nada que não fosse assustar as pessoas (e comigo nem isso conseguiu). Esqueça sentido, roteiro… Esqueça tudo! O único motivo pelo qual o filme é lançado é esse. Cumpre seu papel? Certamente. Mas não consigo olhar para aquilo e considerar um filme. Parece mais uma daquelas atrações de parques de diversões como “Castelo mal-assombrado” e coisas do tipo, no qual você fica apreensivo de quando vai aparecer aquele cara fantasiado de múmia de trás de uma porta.

Muita gente deve me achar um chato quanto à isso. E às vezes até eu gostaria de ser menos criterioso. Mas todo apreciador de uma arte é assim justamente por tudo que engloba aquele tipo de manifestação artística. Quando faltam peças chave, perde o sentido.

About De olho na 7ª arte

Jonathan Miranda é carioca, mas não gosta de praia e ama frio. Criador e gestor do portal PlayStorm, jornalista por formação, amante da 7ª arte e apavorado por estar chegando aos 30 anos.

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