Com a APCC, evolução na segurança

APCC do Aterro do Flamengo é o único local deste tipo no mundo (Foto: Alvaro Riveros/Projeto Respeite Um Carro a Menos)
APCC do Aterro do Flamengo é o único local deste tipo no mundo (Foto: Alvaro Riveros/Projeto Respeite Um Carro a Menos)

(Por Vinicius Palermo)

Com todas as notícias que surgiram neste ano em relação a roubo de bicicletas e com as dificuldades ainda encontradas por quem pedala, seria leviano demais afirmar que o Rio de Janeiro é uma cidade segura para a prática de ciclismo, mas não podemos negar que foram dados passos largos nesse sentido. O problema é que algumas dessas medidas foram tomadas após cidadãos morrerem ao pedalar.

No dia 30 de abril de 2013, o ciclista Pedro Nicolay foi atropelado por um ônibus enquanto treinava na Rua Delfim Moreira, em Ipanema, na Zona Sul. Socorrido pelos bombeiros, Pedro, que era triatleta, não resistiu aos ferimentos e morreu no hospital. Após a morte do ciclista, foi criada a Comissão de Segurança no Ciclismo da Cidade do Rio de Janeiro, presidida por Raphael Pazos, hoteleiro de 40 anos, praticante de triatlhon como hobbie há 11 anos.

“Quando a Comissão foi criada, o primeiro projeto foi justamente encontrar locais seguros para treinamento. Há dois anos este era nosso objetivo”, conta.

A primeira parte do objetivo foi alcançada e hoje o Rio de Janeiro tem uma Área de Proteção ao Ciclismo de Competição (APCC), graças ao projeto de lei de autoria da então vereadora Laura Carneiro. O trânsito de veículos motorizados na área fica interditado diariamente, de 4h às 5h30, dando condições seguras à prática do ciclismo. A primeira APCC criada foi no Aterro do Flamengo, mas a previsão é que até o fim do ano a região da Reserva, no Recreio dos Bandeirantes, também seja incluída.

“Após a morte do Pedro, o prefeito Eduardo Paes em caráter de emergência decretou o Aterro do Flamengo como a primeira área de APCC. O decreto poderia ser revogado a qualquer momento e só contemplava o Aterro. Então conseguimos que virasse lei, que contempla sete macrorregiões do Rio de Janeiro. São elas, Zona Oeste, Zona Sul, Grande Tijuca, Barra da Tijuca e Jacarepaguá, Zona Norte, Ilha e Grande Bangu. Essas regiões podem ser contempladas com áreas de proteção ao ciclismo de competição”, explica Raphael Pazos.

De acordo com Pazos, o Rio de Janeiro é a primeira cidade do mundo onde existe uma área pela qual o poder público se responsabiliza pela integridade física e pela segurança dos atletas que estão em treinamento. No entanto, em agosto, durante um destes treinamentos no Aterro do Flamengo, um ciclista foi atacado por um ladrão que lhe tacou uma pedra para roubar sua bicicleta. Para o presidente da CSCRJ, o caso é isolado e se trata de um ponto fora da curva. Ainda segundo Pazos, o Aterro do Flamengo conta com policiamento eficiente.

“Eu tenho certeza que foi um oportunismo, onde o ciclista se desgarrou do pelotão, estava pedalando sozinho. Todo mundo ficou impressionado com a audácia deste ladrão, de ter conseguido êxito neste roubo”, afirma.

O presidente da Comissão de Segurança chama atenção para a responsabilidade de pessoas que compram peças e bicicletas no mercado negro em casos de roubos como este e como o que causou a morte do médico Jaime Gold, na Lagoa, em maio deste ano.

“A sociedade também tem sua parcela de culpa. Esse cara que roubou a bicicleta, foi trocar por drogas. Ele deu essa bicicleta para um receptador, que vai vender a bicicleta ou vai desmontá-la e colocar as peças para vender em sites de produtos usados. O próprio ciclista sabe que um freio a disco custa R$ 400, ele vai na internet e compra por R$ 40”, ressalta.

Após a morte do ciclista, o governador do Rio de Janeiro, Luiz Fernando Pezão, sancionou em junho deste ano, uma lei de autoria dos deputados Marta Rocha e André Ceciliano, que tipifica o crime de roubo de bicicleta.

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