A cruz e a serpente

Em julho deste ano, uma das marcas de automóveis mais charmosas do mundo completou 105 anos de vida fazendo planos para o futuro. Com direito a festa de aniversário com apresentação do sedã Giullia, que já está dando o que falar antes de começar a ser vendido, a Alfa Romeo anunciou que quer aumentar sua participação na Europa e nos Estados Unidos, para depois crescer e – para a nossa alegria – quem sabe voltar ao Brasil. Os mais novos podem não saber, mas a Alfa Romeo já esteve por aqui e construiu uma bela história. É sobre a trajetória da marca no Brasil que vamos falar na nossa coluna de hoje.

Subsidiária da Fiat, a Alfa Romeo foi criada em julho de 1910 com o nome de Alfa – Anonima Lombarda Fabbrica di Automobili, mas cinco anos depois, em 1915, foi adquirida pelo engenheiro Nicola Romeo, que acrescentou seu nome ao da fabricante, formando a história Alfa Romeo. Em 21 de abril de 1960, na cerimônia de inauguração da capital brasileira um novo carro, fabricado no Brasil, participou do desfile comemorativo. Era o FNM 2000 modelo JK, fabricado sob licença pela Fábrica Nacional de Motores (FNM) em parceria com a Alfa Romeo. Aquele era o primeiro carro da fabricante italiana a ser vendido por aqui.

Com o golpe militar de 1964, o nome que homenageava o ex-presidente Juscelino Kubitschek foi retirado do carro, ficando somente FNM 2000. Quatro anos depois, em 1968, a FNM foi vendida para a matriz italiana da Alfa Romeo. Um ano depois, o carro foi novamente rebatizado, agora sendo chamado de FNM 2150, nome que o acompanhou até 1973, quando deixou de ser fabricado.

Em 1974, a Alfa Romeo começou a fabricar em Xerém, no Rio de Janeiro, o Alfa Romeo 2300, agora ostentando o logotipo com a cruz e a serpente da marca italiana. Desenhado exclusivamente para o Brasil, mas com inspiração no italiano Alfetta Berlina, este carro se transformaria em um dos maiores clássicos da indústria automobilística brasileira. Equipado com motor de quatro cilindros em linha e 2.300 cm³ e transmissão manual de cinco marchas, o carro chegava a 170 km/h e ia de 0 a 100 km/h em menos de 12 segundos.

Em 1977, foram lançados os modelos 2300 b e 2300 ti, que traziam algumas mudanças em relação ao 2300. O interior contava com itens considerados de luxo naquela época, como apoio para cabeça e saídas de ar-condicionado para os passageiros do banco traseiro. Um dos slogans do modelo ti era o fato de não ter opcionais, por ser o mais completo possível.

A Fiat brasileira comprou a Alfa Romeo do Brasil em 1978 e passou a fabricar seus modelos em Betim (MG) em 1979. Agora equipados com direção hidráulica, os carros que saíram da fábrica mineira passaram por pequenas mudanças ao longo dos anos, até que a produção foi encerrada em 1986. Naquele mesmo ano a Fiat comprou a Alfa Romeo também na Itália, assumindo o controle total da marca.

Com a redução das alíquotas das importações de veículos, durante o governo de Fernando Collor, em 1990, a Alfa Romeo voltaria a ter um automóvel vendido no país, porém agora em regime de importação. O primeiro modelo que voltou a ser importado por aqui foi o Alfa Romeo 164. Ainda vimos circulando nas ruas brasileiras o sedã 155 e o hatch 145, além do conversível spider, esse em número reduzidíssimo.

Com o passar do tempo, a Fiat – que chegou a criar concessionárias para atender os Alfas importados – passou a dar menos atenção aos modelos, até que em 2006 a importação foi interrompida. Será que em 2016, dez anos depois, a Fiat volta a importar os magníficos Alfa Romeo? Poderia começar pelo Giullia.

*Esse texto foi produzido utilizando como consulta o livro Automóveis no Brasil – Marcas que o tempo não apaga, de Fabio Steinbruch (Ed. Alaúde)

About Sobre carros

Formado em jornalismo em 2005, Vinicius Palermo trabalha desde 2012 como editor em um jornal carioca. Apaixonado pelos automóveis e pelo Flamengo, ama a família e os animais, por quem luta por dias melhores no futuro. Acredita na máxima de plantar o bem para colher o bem.

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