Gosto se discute sim

Durante boa parte de nossas vidas, ouvimos a expressão “gosto não se discute”. Eu concordo com ela mas somente até a primeira vírgula.

Quando falamos de cinema, cada pessoa tem um gênero preferido. Umas gostam mais de filmes de ação, outras gostam mais de terror, outras drama. E tem um pequeno e pavoroso grupo de pessoas que gostam de filmes que não obriguem ela a pensar.

Todos nós (creio eu) temos o cinema como um entretenimento, uma diversão. Muito por isso, filmes cada vez mais tem efeitos especiais grandiosos, explosões mirabolantes e cenas pra lá de inverossímeis. Apesar de eu torcer bastante o nariz pra esse tipo de arte, entendo a escolha dos produtores por esse caminho. Mas o que me incomoda de verdade é ver como as pessoas tem preguiça de pensar, de prestar atenção numa obra mais profunda. “É muito parado” dizem uns. Os mesmos que vêem na estreia o sétimo filme da interminável é fraquíssima franquia Velozes e Furiosos. Já ouvi cada barbaridade que se contasse aqui, Coppola sangraria pelos olhos e Kubrick levantaria de seu aconchegante túmulo.

Certa vez, num bate papo com amigos em uma mesa de bar, começamos a falar sobre filmes de guerra. Uns citaram “O Resgate de Soldado Ryan”, sem dúvidas um ótimo filme. Outros citaram o água com açúcar e clichê até o caroço “Fomos Heróis”. Quando citei “Platoon” como meu filme favorito sobre o tema, muitos se chocaram. Perguntaram: “Como você pode gostar de um filme tão parado, tão sem emoção?”. Eis que respondo “Bem, o filme realmente é bem menos frenético no campo físico que os que vocês citaram. Mas em termos sentimentais e emocionais, é umas 10 vezes mais pesado e profundo. A guerra não é feita só de conflitos armados, e nenhum filme mostra tão bem o outro lado como Platoon”. Continuaram discordando e eu preferi não comentar mais, apenas concordando com sinal de positivo com a cabeça para cada filme, até de outros gêneros, citados na mesa.

A única coisa que peço para você, que se diz amante da 7ª arte e acha o Dwayne Johnson um “baita ator”: tente, para o seu próprio bem ver um filme como “A Lista de Schindler”ou “O Escafandro e a Borboleta”. No caso do primeiro, pode até ver em duas partes, por ser um filme “grande demais”. Mas tente. Pelo seu próprio bem.

Não precisa me agradecer depois.

 

 

About De olho na 7ª arte

Jonathan Miranda é carioca, mas não gosta de praia e ama frio. Criador e gestor do portal PlayStorm, jornalista por formação, amante da 7ª arte e apavorado por estar chegando aos 30 anos.

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