O empreendedorismo de Romario Regis

(Colaborou Mayara Silveira)

Romario Regis (Foto: Arquivo Pessoal)
Romario Regis (Foto: Arquivo Pessoal)

Coordenador da agência PapaGoiaba – que atua nos municípios de São Gonçalo, Rio Bonito, Itaboraí, Tanguá e Niterói -, Romario Regis cursou Letras na UERJ/FFP e há 8 anos trabalha com comunicação. Apesar de não ser da área, ele se interessou academicamente pelo assunto e estuda em casa. Contudo, esse parece ser apenas o começo da trajetória e continua difícil definir Regis, dono de opiniões bem resolvidas. Confira agora o que este empreendedor focado em ações sociais tem a dizer.

Como a agência Papagoiaba começou?
Começou no início de 2013 quando entendemos a importância de disputar o campo da comunicação nos territórios populares. Não tinha grupos, coletivos e empresas dedicadas a isso em São Gonçalo. Ocupamos esse espaço para entender que a comunicação pode dar visibilidade para as potências socioculturais. A partir de São Gonçalo, passamos a atuar em outros territórios.

Quais são os principais objetivos da agência?
Dar visibilidade para as potências socioculturais dos territórios que atuamos e gerar renda para jovens de origem popular interessados no campo da comunicação.

Quem mais te apoia em seus sonhos?
Eu e minha cidade.

Do que você tem medo?
Não conseguir ver as transformações efetivas que a PapaGoiaba está plantando hoje.

Quem te inspira?
Não tenho uma pessoa que me inspire, mas sim um modo de vida que me inspira. Independente do profissional, área ou proximidade, o que me inspira são atitudes de realização. Ser um realizador tem relação com tentar produzir subjetividade a partir do seu agenciamento no mundo. Pouca gente faz isso e os poucos me inspiram muito.

Onde gostaria de morar se não vivesse em São Gonçalo?
Não me vejo morando em nenhum outro lugar que não seja São Gonçalo, mas se fosse para escolher, moraria em Tanguá, essa cidade me encanta pela sua recente história.

Como quer ser lembrado?
Se duas ou três pessoas tiverem porta retratos com fotos minhas, já estou satisfeito.

Como foi a sensação de participar do RJTV?
A mesma de trabalhar na PapaGoiaba ou fazer um freela de aniversário de 15 anos. Se a gente colocar um lugar como maior do que nossa trajetória, a gente não inventa novos repertórios pessoais. O RJTV foi importante para que eu pudesse me qualificar tecnicamente, não existe gente melhor para a comunicação como os profissionais da Globo, mas em outros lugares aprendi tanto quanto em outras dimensões de formação. Todo lugar que trabalhei me gerou uma bela sensação de aprendizado.

O que você diria para as pessoas que te tem como exemplo pela ação social?
Não quero ser exemplo nem espelhar ninguém. Entrei no campo social por meio do jornal da escola. A partir dai, comecei a conhecer melhor o que era ONG, Conferência, Política Pública até que entendi que era possível contribuir para um lugar e ao mesmo tempo ganhar dinheiro e viver daquilo. Ter uma causa ou uma pauta não pode ser tratado como algo esotérico que em algum momento você passa a se preocupar. Não existe diferença entre um grupo de artistas que ocupa uma casa abandonada e um de camelô que empreende na rua. Os dois ocupam espaços públicos e os dois contribuem para a construção de uma cidade de todos. Não existe diferença entre a pessoa que toda noite vai doar comida para moradores de rua ou alguém que consegue com esforço alimentar sua própria familia. Todo mundo contribui para a transformação do mundo, mesmo com suas contradições. Ninguém é bom o tempo todo e ninguém é ruim o tempo todo. O desafio do Brasil e dos territórios populares, na minha opinião, é reduzir as desigualdades sociais e isso passa por uma cidade mais democrática e o direito de TODOS em se expressar. O campo social não pode ser um clube do bolinha. O campo social precisa ser um processo de construção de subjetividade e não são só os projetos, ONGs e intelectuais que fazem isso.

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