Jipe evoluído

Há 70 anos, chegava ao fim a Segunda Guerra Mundial, com uma Europa castigada e os Estados Unidos ainda mais fortalecido. No meio do campo de batalha, entre mortos e feridos, vitoriosos e vencidos, um imponente veículo mostrou que cumpriu a missão destinada a ele na sua criação. Com tração nas quatro rodas, o automóvel produzido pela Willys para fins militares ficou conhecido como “Jeep”. Sua função era ser um carro “pau para toda a obra”, algo como “General Propose”. Os sons da primeira letra de cada palavra (GP), em inglês, formam o nome pelo qual o carro passou a ser chamado – Jeep.

Assim começou a história de um carro que emprestou seu nome à fabricante que o produzia e virou até figura de linguagem – metonímia –, afinal, nem todos os jipes que vemos na rua são realmente fabricados pela Jeep. Semana passada, mais de meio século após o fim da Segunda Guerra Mundial e 58 anos após o Jeep começar a ser fabricado no Brasil, a marca reescreve sua história no país, apresentando um produto que promete balançar o reinado da Ford Ecosport em seu segmento. Se trata do Jeep Renegade, fabricado no parque industrial do Grupo Fiat Chrysler Automobiles (FCA) em Goiana, em Pernambuco. A marca Jeep pertence ao grupo italiano.

Apesar de haver promessa por uma versão que custará R$ 66.900, o Renegade parte, por enquanto de R$ 69.900, referentes ao modelo Sport 1.8, com câmbio manual de 5 marchas. Por mais R$ 6 mil você leva para casa a versão com câmbio automático de 6 velocidades. Ainda há mais um modelo com o motor 1.8 flex de 132 cavalos, que com uma boa gama de opcionais e o mesmo câmbio de seis velocidades sai por R$ 80.900.

Para a brincadeira ficar 4×4 de verdade o jipeiro terá que desembolsar uma grana pelas versões com trações nas quatro rodas, motor diesel de 170 cavalos e câmbio automático de nove velocidades. A versão Longitude custa R$ 109.900 e a Trailhark, top de linha do Renegade, não sai por menos de R$ 116.900.

Com propagandas frequentes na mídia e um trabalho de marketing intenso a marca quer entrar de vez no país e investiu muito para isso. Foram cerca de R$ 240 milhões para praticamente triplicar o número de concessionárias, que deve ser de 120 em abril. A meta até o fim do ano é chegar a 200. O número não chega aos das marcas já consolidadas no país, mas é bom demais.

O objetivo é vender 50 mil Renegades até o fim do ano, o que daria, partindo de abril, quando o carro começa a ser vendido, uma média de pouco menos de 5 mil veículos por mês. Para efeito de comparação, a Ford Ecosport, líder do segmento de SUVs pequenos, vendeu 3.670 unidades em janeiro e 2.540 em fevereiro. Já o Renault Duster registrou 2.823 unidades comercializadas no primeiro mês do ano e 2.403 no segundo. Acho a meta do FCA otimista demais!

Atenção com os chineses

Tem seguradora recusando renovação de seguro de carro da Chery após uso de franquia em caso de sinistro (colisão). Pode ser um sinal de que os chineses estão se enrolando na questão das peças. Os donos têm que ficar de olho. Não renovar o seguro, ou colocar o preço lá em cima, é um direito da seguradora.

As notícias do mercado – que não vai nada bem, com mais um recorde negativo – fica para a próxima semana, com o balanço do mês de março.

*Foto Capa: Reprodução Internet

About Sobre carros

Formado em jornalismo em 2005, Vinicius Palermo trabalha desde 2012 como editor em um jornal carioca. Apaixonado pelos automóveis e pelo Flamengo, ama a família e os animais, por quem luta por dias melhores no futuro. Acredita na máxima de plantar o bem para colher o bem.

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