“Gente é para brilhar”, diz Rafaela Ferreira

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Rafaela Ferreira (Foto: Erik Vesch)

Ela já interpretou personagens marcantes como a Juju (em Malhação) e a Penélope (em Rebeldes), já atuou com os atores Chay Suede e Bruno Gagliasso e encantou o público com seu carisma e simpatia.Com apenas 26 anos, Rafaela Ferreira tem um vasto currículo de interpretações e cursos na área. Na adolescência descobriu o teatro e, desde então, conquista fãs por onde passa. Além do trabalho como atriz, Rafaela também é diretora do Fabriqueta Filmes, que realiza produção de vídeo em geral.

Com exclusividade ao Portal O Rio, a atriz, que é formada em Artes Cênicas, falou sobre seus principais trabalhos, amizade com os fãs, preconceito e relação com a Zona Oeste do Rio.

Quer conhecer mais sobre Rafaela Ferreira? Então, leia abaixo a entrevista completa!

 Como ingressou na carreira artística?

Comecei a fazer teatro ainda no colégio. Aos 13 anos, viajei pela primeira vez com a peça “O Auto da Compadecida” ao lado do meu irmão e de outros companheiros que me acompanham até hoje, como Francisco Monjellos e Bruno Macedo.

 Malhação foi seu primeiro papel na TV. Como foi ingressar em uma das “novelas” mais vistas da Rede Globo?

Malhação foi um sonho realizado, tinha acabado de me formar na faculdade e como todo mundo sabe, essa vida não é sopa! Ficava com o diploma debaixo do braço me perguntando qual ia ser. Quando fui chamada para o teste estava trabalhando em um bar na Zona Sul, fiquei extasiada, me preparei para as seleções e contei os dias para o resultado, recebi a notícia com um amigo na praia, foi muito emocionante. A Juju para mim é um presente divino, costumo encarar todos os personagens assim, mas, como ela foi a primeira de TV, tem um gostinho ainda mais especial. Ela era irreverente, engraçada, positiva, uma delícia de fazer, além de ter aberto muitas portas e me apresentado a muitas pessoas que sou grata por ter conhecido.

Fale um pouco sobre seus trabalhos mais recentes.

Tive o prazer recentemente de participar da série “Dupla identidade” (Rede Globo), onde fui vítima do Edu (Bruno Gagliasso), foi uma experiência incrível fazer parte dessa série. Tive o prazer de reencontrar o Penna, que foi o preparador do elenco, com quem já tinha feito um curso, a equipe tinha uma interação especial, um requinte mesmo no trabalho. Outra experiência com série, que foi muito bacana, foi participar de “Adorável Psicose” (Multishow), o texto e a presença da Natália Klein são magníficos, comédia inteligente e gostosa de fazer.

Como foi a experiência de trabalhar com o ator Chay Suede, em Rebeldes, que hoje virou o queridinho dos telespectadores?

O Chay é um cara muito legal e merece mesmo todo o reconhecimento que tem recebido. Foi um ótimo parceiro de cena, a gente se divertia gravando. A Penélope era bastante atirada e sem limites, o que abria a porta para muitas piadas e descontração no set.

Como é a relação com seus fãs?

Meus fãs são preciosidades! Receber amor de pessoas que, na maioria das vezes, nunca nem te viram pessoalmente é um presente divino. Sei que posso contar com eles, e sempre que preciso, peço mesmo! (risos). E eles sempre me recebem de braços abertos! Ajudam na divulgação de trabalhos, torcem comigo, sou muito agradecida por poder ter essa relação na minha vida profissional.

 Tem algum trabalho que não faria em hipótese alguma?

Não consigo pensar em um trabalho que não faria, é claro que só com a proposta ali na cara do gol que a gente sabe onde aperta o calo. Mas no geral, procuro ser flexível e estar aberta para os possíveis desafios que a vida pode trazer.

Há padrões impostos pela sociedade e até pela mídia. Como você encara a sua vitória na TV, já que sabemos todos que são mais corpos esculturais que normais nas telinhas?

Os padrões existem, e precisamos lutar muito mais por mais espaço, quero ver o dia em que personagens gays, deficientes, negros, gordos, extremamente magros, enfim, fora dos supostos “padrões” serão protagonistas de novelas e séries. O espaço ainda é muito limitado. Na maior parte das produções, eles nem existem ou seguem um sistema de cotas, 2 ou 3 vagas para os “diferentes”. Já demos muitos passos nessa inclusão, minha carreira é um reflexo disso, e de muitos amigos também, vamos continuar lutando por um mundo sem discriminação em todos os lugares, essa luta começa por si mesmo, então galera: aceitem-se, gente é para brilhar!

 Você já sofreu ou presenciou cenas preconceituosas no cotidiano carioca?

O preconceito é entranhado na nossa sociedade, mesmo quem já sofreu preconceito, muitas vezes, repete um discurso preconceituoso, sem perceber. Precisamos nos conscientizar cada vez mais dessas amalgamas do pensamento comum e construir uma comunidade igualitária, que respeite as diferenças de religião, sexualidade, preferências, raça.

Como você enxerga o mercado audiovisual no Brasil?

Seleto, restrito. A cultura como um todo no Brasil gira em torno das mesmas mãos. As políticas de incentivo não são suficientes, o artista samba, assobia e chupa cana para sobreviver.

O que a Zona Oeste carioca representa para você? Conte um pouco da sua relação com Campo Grande.

Campo Grande é a minha casa, minha família e formação. Vivi anos maravilhosos e descobri minha vocação por meio dos artistas e espaços de cultura da região.

O Rio é muito dividido, uma verdadeira “cidade partida”. Para você que frequenta os dois lados da cidade, o que falta para a Zona Oeste ter o valor social que a Zona Sul tem?

A divisão da cidade cartão-postal e a da vida real é dura, e tem se mostrado cada vez mais aparente. Lembro que não conseguia entender Tom Jobim quando criança, minha mãe apaixonada por ele, sempre ouvia e eu questionava: “Que raio de barquinho é esse, que eu nunca vi?”. Da janela vê-se o corcovado, eu nunca nem tinha ido lá. Deixei minha casa com 17 anos para correr atrás do meu sonho e fui estudar em Ipanema. Lá, tive o prazer de conhecer a cidade cartão-postal, mas nem sempre quis usufruir, o custo é muito alto, e isso é revoltante. Às vezes é mais caro tomar um café no Leblon do que em Paris!

Acho que a Zona Oeste precisa de incentivo direto do governo para a cultura, essa região é um celeiro de bons artistas, muitas vezes desconhecidos e massacrados pelas mazelas cotidianas, tem que ter escolas de formação, espaços culturais equipados e oportunidades para galera mostrar seus trabalhos.

*Foto Capa: Sergio Santoian

About Juliana Torres

Co-fundadora do Portal O Rio, Juliana Torres administra, edita e produz conteúdo para o site e para as redes sociais. A jornalista, que é pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação, já passou por assessorias de comunicação e redações de jornais impressos.

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