“Emagrecimento é um assunto extremamente complexo”, diz psicóloga

A psicóloga Gabriela Cosendey comenta sobre os riscos de uma dieta rigorosa para obter o corpo ideal (Foto: Patrícia Paiva)
A psicóloga Gabriela Cosendey comenta sobre os riscos de uma dieta rigorosa para obter o corpo ideal (Foto: Patrícia Paiva)

Mulheres e homens estão cada vez mais voltados para o mundo fitness. Mas o que preocupa especialistas é a prática de atividade física intensa e dietas rigorosas em pessoas que sequer tinham hábitos alimentares saudáveis. Essa mudança rápida pode tornar-se um problema. Segunda a psicóloga Gabriela Cosendey, membro da ABESO (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade), as mudanças precisam de um tempo para serem assimiladas e devem ser  incorporadas ao dia a dia até tornarem-se hábitos. “Tentar driblar essa etapa pode gerar consequências desagradáveis, prejuízos à saúde, além de frustração. O desequilíbrio emocional e a percepção distorcida de si mesmo podem levar à busca de soluções rápidas para emagrecer e também para aumentar o ganho de massa muscular a curto (ou curtíssimo) prazo, afetando o indivíduo como um todo”, explica Cosendey.

A psicóloga faz três observações importantes que refletem diretamente neste comportamento:

  • Hábitos alimentares começam na infância e são incorporados como registros mentais que permanecem até a vida adulta.
  • No final dos anos muitas pessoas se preparam para atingir o corpo perfeito até o carnaval, quando o mais saudável é buscar manter a saúde global durante o ano todo.
  • Algumas pessoas têm dificuldade em aceitar as mudanças do corpo que ocorrem com a idade.

Ou seja, de nada adianta pensar na mudança imediata nem mesmo recusar alterações naturais do corpo com o passar dos anos. “O mais importante é buscar manter o equilíbrio entre o desejo e/ou necessidade de emagrecer e uma ter uma vida social prazerosa. Já se sabe hoje que a melhor estratégia para o emagrecimento e a manutenção da saúde física é a reeducação alimentar, atrelada à prática de exercícios físicos, ao invés das dietas excessivamente restritivas. Quando isso é incorporado à rotina, os resultados aparecem sem que seja necessário excluir alimentos, com exceção dos casos de alergia. Uma restrição muito radical pode provocar ansiedade e a pessoa vir a consumir muito do alimento que foi restrito depois”, explica Cosendey.

AS DIETAS RIGOROSAS E RESTRITIVAS

Quando a opção pelas dietas rigorosas e restritivas, muitos passam pelo “efeito sanfona” e o resultado não é positivo, já que a pessoa fica insatisfeita com a própria imagem e isto reflete diretamente no psicológico. Quanto a isso, Cosendey afirma: “Essa inconstância pode estar apontando para algumas dificuldades e é importante saber ao certo qual é a de cada um. A compulsão, por exemplo, pode levar à ingestão de alimentos em demasia e depois ao arrependimento, e isso se tornar uma forma de manter-se em constante desconforto consigo mesmo. As causas desse comportamento podem ser inconscientes e a análise é o tratamento adequado para ter maior clareza sobre o que ocorre no seu íntimo”.

Em casos de pessoas que excluem itens que faziam parte da rotina e até traziam algum bem-estar quando consumido, como o chocolate, por exemplo, Cosendey  comenta: “Muitos pacientes relatam a restrição alimentar como quem se refere à perda de um ente querido e sentem-se muito mal. Em análise trabalhamos a relação que ele tem com ele mesmo, com o outro e o significado afetivo do alimento em sua vida”.

É PRECISO DETERMINAÇÃO

De acordo com Cosendey, existem muitos casos de pacientes que desejam ser “emagrecidos”, ou seja, esperam que a solução para a perda de peso venha pronta, de fora, e que não exija nenhum esforço pessoal de sua parte: “É como se fosse um passe de mágica. Mas emagrecimento é um assunto extremamente complexo e que exige cuidados multidisciplinares, pois necessita que alguns fatores clínicos e emocionais sejam cuidadosamente observados”.

Ainda segundo a psicóloga, a mudança deve ser encarada como um processo, onde uma nova forma de ser é construída a partir dos novos hábitos e de uma mudança de consciência. “Deve-se ter em mente que qualquer mudança, seja física ou emocional, requer esforço pessoal. É necessário abrir mão de antigos hábitos, pois não dá para conseguir obter mudanças agindo da mesma forma. Seguindo corretamente as orientações médicas e nutricionais, assim como uma rotina de exercícios, os resultados começam a aparecer no tempo adequado. O processo torna-se algo natural e não um sofrimento constante. E também é preciso aceitar a realidade e reconhecer as próprias limitações. Com a orientação profissional adequada é possível melhorar o que já se tem, mas nunca não transformar-se em outra pessoa”, concluiu a psicóloga.

About Bianca Garcia

Co-fundadora do Portal O Rio, Bianca Garcia administra, edita e produz conteúdo para o site e para as redes sociais. Com experiência em jornal impresso e mídia social, a jornalista formada pela FACHA é também graduanda de Letras/Literatura pela UFF e pós-graduanda em Gestão Estratégica da Comunicação pelo IGEC.

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