Agradáveis surpresas

A 7ª arte nos surpreende em todo o momento. Seja com roteiros intrigantes, com ideias geniais jogadas no ralo por diretores ruins, por obras tenebrosas que ganham continuação e também por atuações acima da média de atores até então pertencentes ao grupo dos “medianos” ou “medíocres”. Esse último caso, em particular, me intriga. Será que eles eram medíocres por conta de não terem chance de mostrar seu real talento ou realmente aprenderam com o tempo, atuando ao lado de profissionais mais gabaritados?

Existe uma linha tênue que separa o ator medíocre do grande ator. Uma fala fora do roteiro encaixada por ele, uma expressão marcante criada exclusivamente para o personagem ou até mesmo trejeitos e formas de andar diferenciados. Tudo isso facilita para que não vejamos ali um ator e sim um personagem vivo, pertencente ao nosso mundo.

Pensando nessa assunto, procurei na minha memória de cinéfilo atores que com o passar dos anos obtiveram melhoras significativas, seja devido a personagens marcantes ou méritos únicos de suas atuações. E olha que muitos deles eu simplesmente odiava em começo de carreira.

Anne Hathaway – Começou insossa e extremamente chata em “O diário de uma Princesa” e se tornou uma atriz segura em “O Diabo veste Prada” até a brilhante atuação “Os Miseráveis”, onde ganhou merecidamente o Oscar de melhor atriz coadjuvante. Eu sei que muitas mulheres e meninas vão me odiar por falar mal de “O diário de uma Princesa” mas convenhamos que é um filme “sessão da tarde” até demais. Mas é notável a evolução da linda Anne a cada filme, melhorando a cada papel e personagem.

Bradley Cooper – Desde os tempos de “O olho que tudo vê”, Bradley era um ator de médio para ruim, que fazia mais pontas em seriados do que filmes. Quando começou a atuar com frequência em longas, alternava o papel de pegador gostosão em filmes de ação/comédia ao romântico galã de filmes água com açúcar. A guinada real na carreira veio em “O lado bom da vida”. Atuando ao lado da excelente Jennifer Lawrence, Bradley superou todas as espectativas com uma atuação impecável. Em seguida, a atuação em “Trapaça” veio confirmar sua melhora enquanto “Sniper Americano” consolidou seu lugar no hall de grandes atores dessa geração. Uma evolução realmente surpreendente.

Natalie Portman – Do começo em “O Profissional” até a primeira indicação ao Oscar em “Closer”, Natalie mostrou uma evolução gradativa e lenta. Dez anos e onze obras depois, a atriz mostrou finalmente que as apostas dos diretores nela não foram em vão. E isso tudo culminou no Oscar de melhor atriz pelo espetacular “Cisne Negro”, uma das melhores atuações que eu já vi na vida. Simplesmente fantástica.

About De olho na 7ª arte

Jonathan Miranda é carioca, mas não gosta de praia e ama frio. Criador e gestor do portal PlayStorm, jornalista por formação, amante da 7ª arte e apavorado por estar chegando aos 30 anos.

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