O setor da filantropia online no Brasil

(Colaborou Marcela Josuá)

Se antes o campo da filantropia contava apenas com a ajuda do ser humano que, imbuído de espírito altruísta procurava ajudar ao próximo, hoje este setor ganha mais um aliado: a Internet. O ramo de doações vem ganhando cada vez mais destaque no mundo online.

A prática do modelo de financiamento coletivo ou crowdfunding – termo que passou a ser utilizado em 2006- teve início quando o economista americano John Breen decidiu criar uma plataforma virtual que arrecadasse dinheiro para reduzir os problemas de educação nos países pobres. De acordo com John, o maior problema encontrado para que esses países mantenham crianças na escola é a falta de comida e, não, a de livros ou a de cadernos. Dessa maneira, o The Hunger Site foi colocado na rede ganhando, inclusive, o aval da ONU. Em um ano e meio, o site produziu 12 milhões de quilos de alimentos. A versão brasileira, Click Fome, foi lançada em 1999 por publicitários que perceberam o alto índice de visitas no site original.

Assim foram surgindo sites, como o Catarse, ferramenta que permite o financiamento de projetos criativos, e o Compartilhe Mais, que nasceu da intenção de três empresários de levar para o maior número de pessoal possível para causas que precisam de doações.

No primeiro caso, artistas, designers, gamers, empreendedores e ativistas têm, no site, a possibilidade de viabilizar financeiramente os seus projetos. As propostas são enviadas por realizadores de diversas áreas, que preparam vídeos de campanha e bolam recompensas atrativas para oferecer aos apoiadores. Após essa etapa, a equipe do site faz uma pré-seleção e quando o projeto é aprovado, os usuários já podem ajudar. Todos as propostas têm prazo -entre 1 e 60 dias- para arrecadar o que foi pedido. Se for bem-sucedido o idealizador fica com o montante arrecadado, mas se a resposta for negativa, o dinheiro é devolvido a todos aqueles que contribuíram para o empreendimento.

O portal Compartilhe Mais nasceu de uma promessa: caso a esposa do empresário Rafael Luiz Fonseca de Oliveira, do ramo de transportes, conseguisse engravidar, o Abrigo da Pedra de Guaratiba (lugar que recebia crianças para encaminhar à adoção) seria auxiliado com doações. A esposa conseguiu ser mãe e, assim, Rafael chamou os amigos para ajudarem: Rodrigo Tavares e Flavius Andrade, também empresários. Dessa maneira veio a ideia de criar um portal onde os beneficiados pudessem cadastrar causas pra receber fundos e os bem intencionados pudessem doar. Os próprios empresários montaram uma equipe para avaliar as situações e se certificar dos destinos dos recursos. Eles ainda cuidam pessoalmente de casos que deram o start no processo.

O país, apesar do crescimento no setor, está abaixo da média em relação às doações realizadas se comparado a outras localidades. O ChildFund Brasil, uma organização de desenvolvimento social, realizou, em 2012, uma pesquisa local que mapeou algumas características sociais e geográficas dos brasileiros no âmbito da filantropia. Segundo o estudo, cerca de 10% da população faz doações regularmente, a maioria localizada nas regiões Sul e Sudeste do País. O levantamento revelou ainda que o valor médio anual arrecadado no Brasil é de R$ 5,2 bilhões, tendo como a maioria os contribuintes da classe C, com uma média de R$ 25 por doação. Já a revista The Economist, o Brasil é um dos maiores doadores internacionais para áreas de risco ou financiamento de projetos internacionais, por exemplo, de combate à fome na África.

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