Infectologista explica como descartar o diagnóstico de febre chikungunya

Com sintomas semelhantes e o mesmo transmissor que o vírus da dengue, a febre chikungunya já afetou 1.106 brasileiros. Os dados mais recentes do Ministério da Saúde registram 115 casos confirmados por critério laboratorial e 991 por critério clínico-epidemiológico. De acordo com Alberto Chebabo, infectologista do laboratório Sérgio Franco Medicina Diagnóstica, ambas as doenças são transmitidas pelo mosquito Aedes Aegypti. Por isso, é mais importante ainda entender as particularidades dessa doença.

A diferença está no vírus que é transmitido, o que leva a alguns sintomas diferenciados. “O quadro clínico inicial, com febre e dores de cabeça, é idêntico. O que distingue uma da outra é basicamente o tipo de dor no corpo. Na dengue, o paciente tem mais dores musculares e na chikungunya, dores articulares, que, inclusive, podem se prolongar por semanas nos casos mais complicados”, revela Chebabo.

São essas diferenças tênues que levam o médico a exigir, além do exame clínico, exames laboratoriais para um diagnóstico correto. “O resultado da detecção por PCR indica a presença do vírus CHIKV, que diagnostica o paciente como portador do vírus causador da febre chikungunya. Já a sorologia IgG e IgM, caso reagente, confirma a presença de anticorpos contra o vírus chikungunya, ou CHIKV, o que indica que o paciente foi ou está infectado pelo vírus”, explica o infectologista.

O infectologista indica que os exames laboratoriais sejam realizados a critério do médico. Ambos os exames são feitos por meio de uma coleta de sangue sem necessidade de nenhum preparo prévio ou jejum. Recomenda-se, entretanto, que, como na dengue, se espere, pelo menos, até o quinto dia do início dos sintomas para realizar a sorologia, já que ela depende da presença de anticorpos contra o vírus. Já no caso do PCR (exame feito por biologia molecular), a recomendação é que seja coletado nos primeiros dias após o início dos sintomas, pois a positividade desse exame cai depois da primeira semana de doença. 

O médico ressalta ainda que, ao sinal dos sintomas, o paciente deve procurar um médico. “É muito importante que o paciente faça uma consulta com um especialista se aparecer algum dos sintomas. Dessa forma, será encaminhado aos exames e o diagnóstico será feito. Quanto antes a doença for descoberta, menores as complicações e maiores são as chances de o tratamento ser bem-sucedido”, afirma o especialista.

PREVENÇÃO

As semelhanças entre as duas doenças vão além dos sintomas e do mosquito transmissor. As principais formas de prevenir a chikungunya são as mesmas do combate à dengue, segundo Chebabo. “Já que o vetor é o mesmo, temos que reforçar os cuidados de sempre para combater o mosquito. Evite o acúmulo de água parada. Para isso, encha os pratinhos de plantas com areia, mantenha lixeiras, vasos sanitários e caixas-d’água fechados, recolha os entulhos do quintal e mantenha as piscinas cobertas”, concluiu o infectologista.

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