Dia Mundial da Diabetes: conheça a doença e previna-se

Por Bianca Garcia e Juliana Torres

bianca.garcia@portalorio.com.br
juliana.torres@portalorio.com.br

Em prol da conscientização do Dia Mundial da Diabetes, celebrado hoje (14), o Portal O Rio reúne informações importantes acerca desta doença que atinge milhões de brasileiros. Segundo a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia (SBEM),no Brasil existem cerca de 12 milhões de pacientes diabéticos, sendo 90% com Diabetes tipo 2: “Este tipo da doença está associado à idade, aumento de peso e sedentarismo. A incidência de Diabetes segue a da obesidade. Certamente ambas vêm aumentando no Brasil. E o pior é que a idade do surgimento do Diabetes vem caindo, pois a obesidade surge cada vez mais cedo e até mesmo na população pediátrica”.

É preciso lembrar que há dois tipos de diabetes, o Diabetes Mellitus tipo 1 e o tipo 2. Ainda segundo a SBEM, o tipo 1, que ocorre principalmente em crianças e adolescentes, é caracterizado por uma destruição das células produtoras de insulina (células beta pancreáticas) pelo próprio corpo (doença autoimune) e, neste caso, o paciente precisa fazer múltiplas doses de insulina durante o dia. Já o tipo 2, que é quando o paciente consegue produzir insulina mas esta não funciona adequadamente, normalmente ocorre em pacientes obesos após os 50 anos de idade e o tratamento envolve perda de peso, prática de exercício e uso de medicações orais.

Vale lembrar que o diabetes é o aumento dos níveis de açúcar no sangue (níveis glicêmicos), conhecido como hiperglicemia. Pessoas com mais de 45 anos que tenham familiares próximos com diabetes, sobrepeso ou obesidade, sejam sedentárias, tenham pressão alta e colesterol elevado ou usem medicações que aumentam a glicose no sangue são as que apresentam os maiores riscos de desenvolver a doença.

Portal O Rio perguntou, a SBEM respondeu:

O que as pessoas podem fazer para evitar a doença?
O brasileiro, em média, ainda espera acontecer o problema para depois resolvê-lo. No caso do Diabetes, é uma pena, pois pode ser prevenido, principalmente, quando se sabe que existem antecedentes familiares. Muitos não vêm ao consultório de forma preventiva. Outros vêm, usam os medicamentos, mas não se esforçam para mudar a alimentação, ingerir menos bebidas alcoólicas e praticar atividades físicas. Alguns não cessam nem o tabagismo. Existe uma minoria, porém, que valoriza essas medidas e permanece muito bem, sem complicações ao longo dos anos.

Não há dúvidas de que estamos vivendo uma epidemia de obesidade e diabetes. Segundo a International Diabetes Federation (ligada à ONU), existem no mundo mais de 380 milhões de diabéticos, a maioria ligada à obesidade e sedentarismo.

Existe cura para o diabete?
Não. É uma doença crônica, mas a qualidade de vida hoje é melhor, visto que praticamente não há restrições em nenhum aspecto da vida aos portadores de Diabetes. O principal é aceitar a doença e aderir ao controle. Aprender mais a respeito do seu Diabetes a cada dia. Como se comporta sua glicemia quando come, quando faz exercícios, quando dorme, quando viaja, tudo isto é muito importante. Seguir a rotina da prevenção de complicações fazendo exames de fundo de olho anualmente, sempre cuidar dos pés para que não haja lesão, exames de sangue e urina conforme as determinações do médico, não faltar às consultas. Tudo é importante.

O tratamento é igual para crianças e adultos?
Sim. Incluem o uso correto dos medicamentos, acompanhamento da glicemia (por meio dos glicosímetros), alimentação equilibrada e hábitos de vida saudáveis.

Justamente a essa mudança de hábitos e alimentação que precisou recorrer Maria Teresa, dona de casa  de 65 anos, que conversou com o Portal O Rio. Maria adquiriu a doença devido à má alimentação e, segundo ela, os primeiros sintomas apareceram há aproximadamente 15 anos “Comecei a sentir tontura e muita fome. Fui ao médico, ele pediu o exame de glicemia e acusou a diabete”, explicou. Desde então, para controlar os níveis de açúcar no sangue, Maria Teresa toma três comprimidos diariamente e faz uma dieta de restrição alimentar. “Evito massas, açúcar, frituras”, concluiu a dona de casa.

A seguir, Yolanda Schrank, endocrinologista do Bronstein Medicina Diagnóstica, esclarece mitos e verdades sobre a insulina, hormônio produzido pelo pâncreas que permite a entrada de glicose nas células para ser transformada em energia.

A injeção de insulina é dolorosa -> Mito. A maioria dos usuários de insulina é agradavelmente surpreendido na primeira aplicação, quando percebe que o incômodo é bem menor do que o esperado. Com o passar do tempo e o avanço da tecnologia, a aplicação do hormônio tornou-se mais confortável por causa de agulhas de menores tamanho e espessura.

Quem faz uso de insulina se torna dependente para o resto da vida -> Mito. A insulina, assim como qualquer medicamento necessário ao tratamento de alguma doença crônica, não causa dependência, ou seja, o paciente não tem crise de abstinência quando suspende seu uso. Entretanto, como o paciente não produz o hormônio em quantidade suficiente, a suspenção do tratamento poderá implicar sério risco de vida ao paciente. É importante entender que a insulina é um hormônio essencial ao bom funcionamento do organismo. Por isso, as injeções são parte indispensável do tratamento de diabéticos tipo 1, que não produzem o hormônio. Também portadores de diabetes tipo 2 podem necessitar fazer uso do hormônio, transitoriamente ou em definitivo.

Usar insulina significa que o grau de diabetes está piorando -> Mito. Quando o médico prescreve esse tipo de terapia não significa necessariamente que o paciente está fazendo algo errado ou que seu quadro está piorando. A insulina é simplesmente, naquele momento, a opção terapêutica mais segura, como acontece, por exemplo, na gestação ou com pacientes que precisam suspender os antidiabéticos orais para se submeterem a alguma cirurgia.

Tomar insulina deixa o dia a dia mais complicado -> Verdade. As aplicações diárias exigem dedicação do paciente. Porém, o trabalho de tomar esse cuidado com o corpo ajuda a prevenir complicações futuras e garante uma vida mais saudável. Para o tratamento com insulina ser mais eficaz, o diabético terá de fazer algumas mudanças em seu estilo de vida, como atentar ao cardápio diário, exercitar-se regularmente, monitorar a glicemia com frequência e tomar os medicamentos conforme prescrição médica.

Insulina engorda -> Mito. Embora muita gente veja a insulina como vilã do equilíbrio da balança, isso não reflete a realidade. O ganho de peso pode acontecer se o paciente estiver consumido medicamentos orais que estimulam o pâncreas a produzir insulina extra. “A razão é simples: quando o açúcar no sangue estava elevado e o diabético não aderia a nenhum tratamento, as calorias consumidas eram expelidas do corpo pela urina. Mas ao aderir à terapia com insulina e hipoglicemiantes orais, as calorias consumidas são transformadas em energia. Ou seja, em vez de serem calorias perdidas, são absorvidas pelo organismo. Isso pode levar ao ganho de peso, caso o paciente consuma calorias em excesso”, explica Schrank. Para evitar o ganho de peso, basta seguir o plano alimentar orientado pela equipe de especialistas, que contém a quantidade exata de calorias que o corpo necessita para funcionar. Iniciar um programa de exercícios também é uma recomendação válida. Ao combinar esses passos com o tratamento medicamentoso, o diabético perderá os quilos que eventualmente adquiriu.

Insulina pode cegar -> Mito. Não há absolutamente nenhuma evidência de que o tratamento com insulina provoque cegueira. Pode-se dizer, na verdade, que o oposto é verdadeiro: pacientes que não controlam o diabetes podem perder a visão. Estudos mostram que o tratamento com insulina realizado de forma adequada reduz o risco de doença ocular em até 76%. Quando elevados por um longo período, os níveis de açúcar no sangue podem danificar os pequenos vasos sanguíneos da retina dos olhos. Essa condição, conhecida como retinopatia diabética, pode levar à perda da visão e, eventualmente, à cegueira total, de forma progressiva.

Uso de insulina pode causar hipoglicemia -> Verdade. A hipoglicemia, também conhecida como baixa de açúcar no sangue, acomete o paciente quando há desequilíbrio entre a quantidade de açúcar e a insulina disponível na corrente sanguínea, como pode ser observado, por exemplo, em pacientes que prolongam muito o tempo de jejum, quando ocorrem erros na aplicação da medicação (doses excessivas) ou ainda em pacientes que não se alimentam adequadamente ou não ajustam a quantidade de insulina ao realizar atividade física.

About Bianca Garcia

Co-fundadora do Portal O Rio, Bianca Garcia administra, edita e produz conteúdo para o site e para as redes sociais. Com experiência em jornal impresso e mídia social, a jornalista formada pela FACHA é também graduanda de Letras/Literatura pela UFF e pós-graduanda em Gestão Estratégica da Comunicação pelo IGEC.

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