O carro do povo

Listar aqui as atrocidades cometidas por Adolf Hitler e seu exército nazista no período da Segunda Guerra Mundial, nos anos 1930 e 1940, seria repetitivo e fugiria completamente do propósito da nossa coluna, mas a história mundial do automóvel não pode ser contada sem citar uma herança dos planos do Führer. O Fusca, que 80 anos após seu primeiro esboço – feito por Ferdinand Porsche –, ainda arrasta uma legião de fãs, nasceu após o desejo do ditador alemão de criar “o carro do povo”. Em alemão, a expressão significa “Volkswagen”.

A história do Fusca no Brasil se mistura com a trajetória da própria fabricante alemã no país. O carrinho em forma de besouro começou a chegar por aqui no final dos anos 1940 e início da década de 1950, antes mesmo da Volkswagen abrir a primeira fábrica no país, fato que ocorreu em 1953. O nome Fusca ainda não existia, ele era conhecido simplesmente pelo nome da fabricante alemã ou por “Volks” e chegava importado e desmontado, por meio da empresa Brasmotor, que o montava e vendia.

Em 1959, dez anos após a chegada do “besourinho” por aqui, ele passou a ser produzido em solo nacional pela Volkswagen, com o nome de Sedan 1200. Com 36 cavalos de potência, o modelo era igual ao que circulava na Alemanha. Três anos depois, o modelo já fazia parte do cotidiano dos brasileiros e seu sucesso era tanto que até malas especiais eram produzidas para caber no reduzido porta-malas.

Ao passar dos anos, o carro se tornou um ícone, ganhando motores mais modernos para a época, com cilindradas maiores e melhor desempenho. Oficializado pela Volkswagen a partir de 1983, o nome Fusca vem da forma que os brasileiros pronunciavam a palavra “Volks”, trocando o “v” pelo “f”, falando, portanto, o nome “Folks”, que rapidamente se transformou em Fusca. Esperta, a fabricante alemã resolveu utilizar o nome que já estava na boca do povo.

Se pegarmos fotos de trânsito das décadas de 1970 e 1980 dá pra notar que a maioria dos veículos que circulavam no país tinha forma de besouro e atendia pelo nome de Folks, Fusca, Sedan… Na verdade, nome pouco importa, o carro fala por si só. Aliás, até o dom da fala ele ganhou, no filme Se Meu Fusca Falasse (1968). Em 1986, ele se aposentou, mas voltaria ao batente em 1993, por meio de uma decisão do então presidente Itamar Franco de “criar” um carro popular. Foi vendido por três anos, quando saiu do mercado, pois, para se enquadrar nas novas regras de emissões de gases, se tornaria muito caro.

Se você é apaixonado pelo modelo, pode optar por duas opções para voltar a dirigir um Fusca. Para quem tem o bolso recheado e prefere modernidade e potência a melhor opção é comprar o modelo novo da Volkswagen, rebatizado de Fusca, que tem motor 2.0 de 211 cavalos de potência e câmbio automático de seis velocidades. Tudo isso não sai por menos de R$ 90 mil.

Agora, se seu bolso não é tão recheado, e você prefere o original, o carrinho ainda figura por sites de vendas de carros como webmotors, bomnegocio, olx… A questão é saber se é tudo original mesmo e verificar a mecânica. Levar um mecânico de confiança em uma compra desta é obrigatório. Vida longa ao Fusca!

MERCADO

Outubro começou com o Volkswagen Gol querendo retomar a liderança, esquentando ainda mais a briga particular com o Fiat Palio. Até o fechamento desta coluna (sábado, 4), o carro da fabricante italiana continuava, no entanto, no topo do ranking Fenabrave de outubro, com 2.009 unidades vendidas até agora, contra 1.848 do Volkswagen. Em terceiro lugar está o GM Onix, com 1.766, seguido por Hyundai HB20, com 1.497 e Fiat Siena (1.195).

*Muitas das informações desta coluna foram consultadas no excelente livro Automóveis no Brasil, (Editora alaúde, 2008), de Fabio Steinbruch.

 

About Sobre carros

Formado em jornalismo em 2005, Vinicius Palermo trabalha desde 2012 como editor em um jornal carioca. Apaixonado pelos automóveis e pelo Flamengo, ama a família e os animais, por quem luta por dias melhores no futuro. Acredita na máxima de plantar o bem para colher o bem.

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