Gravidez: sonho e cura na endometriose

Dor na menstruação, dor na relação sexual e infertilidade. Esses são alguns dos sintomas da endometriose, uma doença já considerada para muitos como a doença do século XXI. Apesar de ser antiga, a endometriose ainda é muito pouco conhecida. Hoje afeta de 5 a 10 % das mulheres em idade reprodutiva, segundo o ginecologista Marcio Coslovsky, diretor médico da Primordia Medicina Reprodutiva que conversou com o Portal O Rio. Ainda segundo Coslovsky, a endometriose é uma causa de infertilidade pela reação inflamatória na pelve feminina. “As trompas funcionam mal ou ficam obstruídas pela reação irritativa promovida pela doença”, explicou o ginecologista. A gravidez, que para a maior parte das mulheres é um sonho, fica, então, ameaçada.

Bruno Queiroz e Bruna Queiroz
Bruno Queiroz e Bruna Queiroz

Foi exatamente esta ameaça que se aproximou do fotógrafo Bruno Queiroz e da nutricionista Bruna Queiroz, com quem o Portal O Rio já conversou outras vezes por suas funções profissionais. Eles são casados há quatro anos e há dois decidiram engravidar. A descoberta recente (de apenas cinco meses) de que não conseguiam engravidar porque Bruna estava com endometriose assustou. De acordo com o casal, especialistas disseram que Bruna tem a doença há cerca de sete anos, mas, como teve um diagnóstico tardio, está em quadro profundo. “Como a Bruna não pode menstruar porque a endometriose é uma doença que se prolifera quando a mulher menstrua, a gravidez seria o melhor tratamento médico para ela. Além de um sonho, a gravidez nesse caso é a cura”, explicou Bruno que procurou o Portal O Rio para alertar sobre os riscos e a proximidade da doença. Por este motivo, os médicos que cuidam do casal recomendou a fertilização in vitro, já que Bruna já passou por uma cirurgia para retirar o foco que estava no ovário direito, vai retirar a trompa esquerda e ainda está com 60% do intestino comprometido. “A gravidez é o melhor tratamento médico porque as grávidas não menstruam e liberam hormônios que regridem a endometriose. A fertilização também é indicada para pacientes com um quadro como esse, que não pode parar a medicação sob risco de acometimento de outros órgãos e tornando a doença ainda mais grave”, acrescentou o fotógrafo.

O PROCESSO
A fertilização in vitro, que é uma técnica de reprodução assistida, consiste na colocação, em ambiente laboratorial, de um número significativo de espermartozóides ao redor de cada ovócito para obter pré-embriões que, posteriormente, serão transferidos para a cavidade uterina. O processo no Brasil, porém, tem alto valor aquisitivo, o que dificulta para grande parte das famílias de classe média. Além de enfrentar o susto da doença e das possíveis cirurgias, como no caso da Bruna, o casal ainda precisa custear o processo que possibilita a gravidez. Não bastasse tudo isso, ainda tem o preconceito que Bruno e Bruna contaram que realmente ainda existe. “As pessoas não sabem muito e não entendem. Acham que é falta de fé, o que não é em hipótese alguma. A vida é um milagre e a gente não pode deixar o preconceito abater. Depois de descobrirmos a endometriose na Bruna, encontramos diversos casais próximos que passaram por tudo sozinhos. Familiares não sabem que o filho é fruto de uma fertilização. Descobrimos que ainda há muito preconceito, mas ter dividido nossa história com a família e com os amigos foi a nossa melhor decisão. Estamos recebendo uma carga de carinho, apoio e ajuda muito grande. Fomos surpreendidos por amigos que criaram maneiras de adquirirmos R$ 20 mil para pagar o processo da fertilização [veja aqui]. Dividir o que aconteceu está sendo gerar nosso filho, nossa bênção, com todos. Não vai ter padrinho, todo mundo vai ser um pouco pai e mãe”, disse Bruno, emocionado, e ansioso com o início do tratamento que vai acontecer após conseguir o dinheiro para o tratamento.

UM PROJETO BACANA
Ao reconhecer a dificuldade em pagar por uma fertilização in vitro, Bruna e Bruno contaram ao Portal O Rio sobre o Programa GERAR que conheceram no meio das pesquisas sobre fertilização. O projeto não se enquadra no caso deles, mas o casal fez questão de mencionar o para que outros casais que passem por problema parecido, procurem a instituição, conheçam o programa e saibam que há possibilidades viáveis e econômicas. O site da instituição explica: “O Vida oferece um programa de FIV [Fertilização In Vitro] a baixo custo. Para isso, formam-se grupos que são submetidos ao tratamento ao mesmo tempo, o que possibilita a otimização na utilização dos equipamentos e reagentes, preços especiais ao comprar um lote maior de medicamentos, assim como um melhor aproveitamento do tempo do profissional”.

A DOENÇA
Ainda de acordo com o ginecologista Marcio Coslovsky, a endometriose é uma doença caracterizada pela presença de tecido endometrial, que é a parte interna do útero, fora deste, como nos ovários, tecidos adjacentes ou à distância. Como tratamento, Coslovsky citou a videolaparoscopia avançada com limpeza dos focos de endometriose e o tratamento hormonal, mas apontou também para a gravidez: “A gestação melhora a doença, portanto, não adiar a gravidez é também uma boa forma de prevenção”. Mas não é o que acontece atualmente. As mulheres têm engravidado cada vez mais tarde com a busca pela estabilidade financeira e profissional. Com isso, é preciso que todas fiquem atentas, façam exames rotineiramente, pois quando mais rápida a descoberta da doença – que também pode ser assintomática – menos agressiva ela vai se tornar.

About Bianca Garcia

Co-fundadora do Portal O Rio, Bianca Garcia administra, edita e produz conteúdo para o site e para as redes sociais. Com experiência em jornal impresso e mídia social, a jornalista formada pela FACHA é também graduanda de Letras/Literatura pela UFF e pós-graduanda em Gestão Estratégica da Comunicação pelo IGEC.

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