Vampiros… Ou seriam fadas?

Já faz bastante tempo que vampiros se transformaram num sub gênero de filmes de terror. Desde o clássico e excelente Nosferatu (1922), passando por Drácula de Bram Stoker (1992) e Entrevista com Vampiro (1994) e culminando nos pré adolescentes e deturpados filmes da saga Crepúsculo. As criaturas das trevas, avessas a luz do sol e ávidas por sangue sempre permearam o imaginário popular, seja daquelas pessoas fãs da literatura vampírica ou meros apreciadores de monstros em geral. O problema foi o rumo que as coisas tomaram.

O clássico literário de Bram Stoker (Drácula, 1897) é o mais famoso conto sobre as criaturas da noite e portanto, sempre serviu como base para autores e roteiristas de cinema trabalharem com tema. O grande problema foi quando uma escritora chamada Stephenie Meyer resolveu pegar absolutamente tudo já feito sobre as criaturas e mudar radicalmente. Esqueça os vampiros fugindo do raio de sol, os seres completamente sem piedade, frios. Nada disso é visto nos livros e filmes da saga Crepúsculo. Vampiros que brilham na luz do sol, se apaixonam por humanos e tem filhos concebidos da forma como nós, humanos e seres ditos “normais”, fazemos. Não vou nem entrar no mérito da qualidade dos filmes em si (que acho bem baixa) pois claramente o público alvo não era a minha faixa de idade e sim garotinhas entre 12 e 16 anos ávidas pela história clássica de romance proibido, clichê desde as obras de Shakespeare.

O fato é que isso mudou totalmente a visão que a mídia, a crítica e o público em geral (principalmente essa geração) tem dos vampiros. E juntando isso ao sucesso absurdo que a franquia fez em todo o mundo, não é difícil imaginar que todo e qualquer filme que lide com o tema venha na mesma pegada, muito mais “light” que as obras que o originaram.

Mas nem tudo está perdido. Previsto para estrear dia 30 de outubro de 2014, “Dracula Untold” (ou Drácula: A História nunca contada, em português), tem como premissa misturar o real e a fantasia. A história de príncipe Vlad, o Empalador, famoso tanto por seu sadismo quanto por sua ferocidade nas batalhas para defender seu povo, é misturada ao mito do Conde Drácula, cuja obra foi baseada justamente nas lendas sádicas atribuídas ao príncipe. Com visual bastante sombrio e cenas de batalha bem reais e sangrentas, o filme tentará apagar um pouco as luzes brilhantes dos vampiros “estilo Malhação” e acender uma vela bem ao estilo Lestat, personagem principal da obra de Anne Rice. Há uma luz no fim do túnel. E essa, com certeza, não provem de nenhum vampiro brilhante e muito menos do sol. Só nos resta esperar.

 

 

 

 

About De olho na 7ª arte

Jonathan Miranda é carioca, mas não gosta de praia e ama frio. Criador e gestor do portal PlayStorm, jornalista por formação, amante da 7ª arte e apavorado por estar chegando aos 30 anos.

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