Sem olhar para frente

O Nissan Leaf abastece na tomada nos EUA: tecnologia plugin fora do incentivo (Fotos: Nissan/divulgação)
O Nissan Leaf abastece na tomada nos EUA: tecnologia plugin fora do incentivo (Fotos: Nissan/divulgação)

Em 2012, eu tive o prazer de fazer test drive no Nissan Leaf, modelo elétrico da marca japonesa, em um evento realizado no Rio de Janeiro. Potência, modernidade, conforto e, principalmente, preocupação com o meio ambiente estavam reunidos naquele carro. Em conversas informais com executivos ligados à marca na época, debatemos sobre quando os veículos elétricos e/ou híbridos começariam a chegar por aqui de verdade.

Pois bem, neste mês, a Câmara de Comércio Exterior (Camex) anunciou redução de alíquota de imposto sobre importação de veículos híbridos (com motor elétrico e à combustão). A taxa, que era de 35%, pode chegar a 0%. A medida, no entanto, deixa de fora os modelos que utilizam a tecnologia de recarga externa (plugin), e é aí que mora a questão da nossa coluna de hoje.

A redução beneficia modelos híbridos cujas baterias se alimentam por meio do motor à combustão. Válida até o fim do ano que vem, fará com que as taxas de importação variem de 0 a 7%, tendo índice de nacionalização do modelo ou regime de importação (se chega montado ou desmontado), como fatores influenciadores. O consumo também entra na história, já que mais econômicos terão menores taxas.

É claro que temos que comemorar esse avanço em um país tão atrasado quando o assunto é a interação entre meio de transporte e meio ambiente, mas fica aquela dúvida: por que deixar de fora os modelos que carregam na tomada, que utilizam uma quantidade menor de gasolina? Isso sem entrar no mérito do governo não mexer na importação dos veículos 100% elétricos.

O mercado brasileiro conta com alguns modelos híbridos como Toyota Prius e Ford Fusion Hybrid, e viu serem lançados os elétricos BMW I3 e I8. Os dois primeiros dominam o cenário que não tem nenhum modelo que saia por menos de R$ 100 mil.

Enquanto isso, lá fora, governos e fabricantes investem cada vez mais nos carros elétricos e a expansão do setor já é clara. Reportagem da Revista Quatro Rodas de outubro traz uma pesquisa realizada pela consultoria americana Navigant Research que diz que Tóquio, Los Angeles e Paris serão, em breve, os maiores mercados para veículos elétricos.

Segundo a pesquisa, a venda de automóveis movidos à bateria na América do Norte, Ásia e Europa deve saltar de 352 mil unidades em 2014 para 1,8 milhão em 2023. A previsão do estudo é que em 2023 circulem 2,7 milhões de elétricos nos Estados Unidos, com 514 mil unidades vendidas anualmente. O Brasil, onde em 1984, a Gurgel construiu o primeiro elétrico nacional – o modelo Itaipu, parece estar longe dessa realidade.

MERCADO

Setembro está quase acabando e a diferença anual no número de vendas entre Fiat Palio e VW Gol continua a diminuir. O Palio lidera o ranking Fenabrave de autos, com 14.100 unidades vendidas até ontem, sábado (27). Em segundo lugar, está o GM Onix, com 12.117. O Gol ocupa a terceira colocação, com 11.402, seguido pelo Hyundai HB20, com 8.897 unidades comercializadas. Com 8.529, o Fiat Siena fecha o TOP5. Vale lembrar que a Fiat Strada, que habita, no ranking da Fenabrave, o segmento dos comerciais leves, é o segundo carro mais vendido em setembro, com 12.793 unidades comercializadas.

Além do recém-lançado Ford Ka, que passou das seis mil unidades vendidas no mês, vale destacar a queda nos números do Honda City. Com a nova versão ainda chegando nas concessionárias, o sedã registrou somente 540 unidades comercializadas. A mudança, no entanto, parece ter agradado e acredito que o modelo passará a vender mais que a média mensal de dois mil do modelo antigo.

 

About Sobre carros

Formado em jornalismo em 2005, Vinicius Palermo trabalha desde 2012 como editor em um jornal carioca. Apaixonado pelos automóveis e pelo Flamengo, ama a família e os animais, por quem luta por dias melhores no futuro. Acredita na máxima de plantar o bem para colher o bem.

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