Christian Pierini: o artista de muitas faces

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Christian Pierini representado por instrumentos eletrônicos (Fotos: Arquivo Pessoal)

Trinta e nove anos de vida. Trinta e nove anos de arte. Este é Christian Pierini: músico, artista visual, professor de artes e produtor cultural. Filho de Ives Macena e da saudosa Regina Pierini, o talento para a arte corre em suas veias. Quando criança ingressou nas artes cênicas, declamou poesias e cantou em um coral. Na adolescência, conheceu o rock n roll e os instrumentos musicais – principalmente guitarra e bateria – regeram e ainda regem sua trajetória. Membro da diretoria da Lona Cultural de Campo Grande (Zona Oeste do Rio), Christian produz peças teatrais, shows,  faz trabalhos artísticos com materiais obsoletos e é baterista da Black Dog Brazil.

O Portal O Rio conversou com exclusividade com Christian Pierini, que contou sua história e falou sobre seus trabalhos. Confira!

Quando percebeu seu talento para as artes?
Acho que não foi eu que percebi e sim meus pais. Minha mãe era pintora e atriz e meu pai, cantor e produtor de eventos e esta mistura foi minha grande influência. Aos sete anos, eu já me apresentava declamando poesias com minha mãe e, logo depois, comecei a frequentar aulas de teoria musical e também a cantar em um coral por sugestão de meu pai. Venho de uma família que a maioria das pessoas vive de artes. Quando dei por mim, já estava inserido neste universo.

Quais os tipos de trabalho que você faz?
Hoje em dia eu divido meu tempo trabalhando como produtor de eventos, produzindo e lecionando artes visuais e, nos finais de semana, toco com minha banda. Produzo eventos na Lona Cultural de Campo Grande desde sua inauguração nos anos 1990. Há dez anos toco bateria na Black Dog Brazil e comecei a estudar artes visuais em 2006.

Fale um pouco sobre cada trabalho…
Hoje meu trabalho de produção na Lona Cultural está um pouco inibido, produzo algumas peças e shows mas o foco tem sido captar recursos para ampliar nossa estrutura de trabalho neste espaço. Minha banda já é bem conceituada no mercado independente e estamos nos preparando para lançar nosso disco autoral em 2015, quando comemoramos 20 anos de banda. Nas artes visuais, acabei de produzir minha primeira série de imagens feitas de lixo eletrônico e estarei expondo fotos destes trabalhos este mês na galeria La Salle, em Niterói, e no espaço cultural Capgemini, em Barueri (SP).

Fale um pouco sobre o seu envolvimento com a música…
Quando comecei a tocar meu instrumento principal era a guitarra, que conheci logo na adolescência. Toquei guitarra em algumas bandas, uma de rock progressivo chamada Cactus Peyotes e uma de punk rock chamada Sex Noise. Ambas lançaram discos autorais. Como sempre fui apaixonado por música, sempre brincava com a bateria nas horas vagas. Em 2005, fui convidado para tocar bateria no Black Dog, banda de tributo à banda inglesa Led Zeppelin.

Fale sobre seus principais trabalhos…
É difícil destacar trabalhos. Mas alguns marcaram a minha carreira como dividir o palco com o guitarrista Stamley Jordan e uma apresentação com a Black Dog no Circo Voador, show que arrecadamos quase uma tonelada de alimentos para a casa de assistência à menores Task Brasil. Este show, de 2007, resultou em um convite para conhecermos o Jimmy Page (lendário guitarrista do Led Zeppelin). Trabalhei também por dois anos como assistente do artista plástico Vik Muniz e tive a oportunidade de fazer o logotipo do Rock in Rio para a revista Veja e a vinheta de 2000 edições do Fantástico, na Rede Globo.

Fale sobre suas influências artísticas…
No campo das artes visuais, tecnicamente não posso negar a influência do trabalho de Vik Muniz,mas conceitualmente minhas influências vêm dos pintores surrealistas como Dali e Magritte. Na música o Rock ‘n’ Roll , Rock Progressivo (um tipo de música surrealista), o Jazz e toda música que não seja feita apenas para vender. Acho que a arte voltada apenas para o comércio é vazia, desprovida de conceito e não tem alma, é apenas embalagem.

Qual foi o principal desafio de sua carreira?
O maior desafio para mim é viver ou sobreviver de arte em um país em que se exalta a banalidade. O governo e a grande mídia querem manter o povo imbecilizado e sem senso crítico e o resultado você vê nas urnas! (rs)

Fale sobre suas ambições…
Não me acho muito ambicioso, senão teria seguido outra carreira. Mas minha maior ambição é furar este bloqueio cultural e conseguir divulgar meu trabalho nacional e internacionalmente e isso se faz de degrau em degrau, por meio de oportunidades legítimas como esta do Portal O Rio.

 

 

About Juliana Torres

Co-fundadora do Portal O Rio, Juliana Torres administra, edita e produz conteúdo para o site e para as redes sociais. A jornalista, que é pós-graduada em Gestão Estratégica da Comunicação, já passou por assessorias de comunicação e redações de jornais impressos.

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