Um policial campeão em fisiculturismo

O Portal O Rio conversou com um sargento da Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), que aos 35 anos tornou-se um atleta. Conhecido pela dedicação ao fisiculturismo, Luiz Claudio Claudino, de 36 anos, contou, em entrevista exclusiva, as dificuldades em conciliar a vida de policial militar com a de atleta. O fisiculturista explicou, inclusive, como faz para manter a dieta equilibrada com a alimentação dos batalhões. Além da conciliação entre a vida de atleta e de policial, Luiz Claudio também contou sobre o início da carreira de atleta e os prêmios já conquistados. Confira abaixo:

Como e quando o fisiculturismo entrou na sua vida?
Sou apaixonado por educação física e tenho prazer em praticar esportes. O fisiculturismo entrou na minha vida há uns 15 anos quando eu comecei a malhar. Fui tomando gosto e no ano de 2014 resolvi me tornar um atleta. Disputei meu primeiro campeonato de fisiculturismo e fitness aos 35 anos.

Conte um pouco das competições que participou e diga sobre suas classificações…
Comecei em março de 2014 no campeonato de estreantes da IFBB-RIO [Federação de Culturismo do Estado do Rio de Janeiro]. Foi tudo meio corrido e desorganizado, mas ainda assim consegui ficar na quarta posição. O próximo veio logo depois na Barra da Tijuca, onde fiquei em primeiro lugar na minha categoria “Body Shape até 1,70 Mt”. Depois fui disputar o Overall, onde também fui campeão. Overall é a etapa onde todos os primeiros colocados da categoria Body Shape (são quatro, até 1,70 Mt, até 1,74 Mt, até 1,78 Mt e acima de 1,78 Mt) vão para um confronto. O melhor dos quatro é o campeão Overall. Em junho veio o MR Rio (campeonato carioca), que fiquei em segundo lugar. E no dia 26 de julho participei da Copa Sul Fluminense, em Barra do Piraí, e fiquei em primeiro lugar.

Quais as maiores dificuldades que encontrou no início?
As dificuldades existem aos montes, mas diria para você que a maior é o tempo.

Há alguma até hoje? Qual?
Sim, existe. Sempre será o tempo (risos).

Como você concilia a vida de policial com a vida de atleta?
É muito difícil conciliar a PMERJ com o fisiculturismo. A PMERJ é meu trabalho, é onde eu tiro meu sustento. O fisiculturismo é meu estilo de vida. A conciliação é difícil, pois na PMERJ trabalho em escalas e dependendo do evento que tenha no Rio tiramos serviços extras e como o salário não é dos melhores ainda temos que fazer algo para complementar a renda. E o culturismo requer foco, dedicação, força de vontade. É difícil, mas eu me viro, jogo nas quatro (risos).As comidas de batalhões não são as melhores nem no sabor nem nas questões nutricionais. Como você se alimenta nos dias que está de serviço na Polícia Militar?
Eu só tenho uma opção: um dia antes do serviço preparo todas as minhas refeições e levo marmitas para o batalhão. Esse é o único jeito de manter a dieta e não perder o foco.

Para se tornar um fisiculturista você deixou de lado alguns costumes ou alguma coisa que fazia parte da sua rotina (seja de alimentação ou não)?  O quê?
Eu mudei. Agora sigo um estilo de vida. Muita coisa tive que deixar de lado em especial no que diz respeito à minha alimentação. Tive que dizer não ao refrigerante, ao açúcar, aos carboidratos em excesso, às massas, às frituras, ao sal e ao monte de guloseimas. Ainda precisei ter uma dedicação maior aos treinos. Só assim obtive resultados positivos.

Em dia de competição, como é sua rotina? Desde a hora que acorda até a hora que vai para o palco.
Em dias que antecedem as competições fazemos uma dieta específica para o evento começando com uma certa quantidade de carboidratos, que reduz até zerar. Consumimos bastante água, tipo cinco litros no início da semana, e reduzimos até ficar sem beber no dia da apresentação. A dieta é a base de proteínas com aeróbicos em jejum para conseguir definição e fazer bonito no palco.

E em dia normal, como é?
Em dias normais, que chamamos de período OFF, eu como de tudo, mas com 
moderação e sempre vendo minhas medidas e me olhando no espelho para não engordar demais e posteriormente não me sacrificar mais para recuperar minha forma.

Conte como são seus treinos…
Meus treinos são sempre pesados e conjugados. Treino bíceps e tríceps, perna, ombros, trapézio, dorsais e peito. São três séries e 10 repetições.

O que você tem a dizer aos leitores do Portal O Rio?
O que eu tenho a dizer é que eu entrei nessa aos 35 anos e consegui, então a todos que estão lendo esta entrevista: não desistam dos seus sonhos, acreditem em vocês, pois nosso maior medo e nosso maior obstáculo somos nós mesmos. Coloque sempre Deus na frente e o resto é com você.

About Bianca Garcia

Co-fundadora do Portal O Rio, Bianca Garcia administra, edita e produz conteúdo para o site e para as redes sociais. Com experiência em jornal impresso e mídia social, a jornalista formada pela FACHA é também graduanda de Letras/Literatura pela UFF e pós-graduanda em Gestão Estratégica da Comunicação pelo IGEC.

Check Also

PM cria programa para formar oficiais multiplicadores

A Polícia Militar do Rio de Janeiro (PMERJ) iniciou, na última segunda-feira (26), o Programa …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.