Saibam a hora de parar!

Imaginem vocês um filme com uma premissa sensacional, ótimos atores em seu cast, um diretor renomado e um bom estúdio por trás. Fatalmente será um sucesso de bilheteria e, com alguma sorte e boa dose de competência, um ótimo filme. E é aí que meu inconsciente avisa: “Houston, we have a problem”.

Desde os áureos tempos de Hollywood, depois de um ótimo filme lançado, a tendência é que ele vire uma franquia. Isso aconteceu com obras como O Exorcista, Matrix, o thriller Pânico e tantas outros. O grande problema é que na esmagadora maioria dos casos, o resultado (em termos de qualidade) é péssimo. Obviamente, o foco é a arrecadação e as franquias quase sempre são forçadas pelas produtoras. Com isso, oferecem um caminhão de dinheiro para roteiristas/diretores e os mesmos tendem a aceitar, na maior parte das vezes.

Vou usar Matrix como exemplo. O primeiro filme dos irmãos Wachowski é uma obra prima da ficção científica e tem um arco cronológico nitidamente fechado, com começo, meio e fim. Não necessitava de continuação. Porém, com o sucesso absurdo alcançado pelo mesmo, a Warner ofereceu rios de dinheiro para os irmãos e transformaram a história em uma trilogia sem pé nem cabeça. O segundo filme (Matrix Reloaded, 2003), repetiu o sucesso de bilheteria muito mais pegando carona no primeiro do que por sua qualidade bastante questionável. Vamos ser sinceros? O filme é muito ruim. Mas o terceiro e último da franquia (Matrix Revolutions, 2003) é o ápice da continuação sem fundamento. O desfecho da história vai de encontro a tudo que foi mostrado no primeiro longa, questionando até a inteligência de quem assiste. O fato do segundo e terceiro filmes terem sido lançados quatro anos após o primeiro (que demorou dez anos para ser escrito e roteirizado), mostra a pressa para lançar e pegar a onda de euforia provocada pela começo da história. E no caso do cinema e principalmente de ficção científica, a pressa é a pior inimiga da perfeição.

Todos nós sabemos que o mundo do cinema gira em torno de dinheiro. Um filme que arrecada milhões é visto pelas produtoras como uma laranja que deve ser espremida até o máximo. Mas sempre vem bastante bagaço junto. E essa bagaço, pelo menos para mim, é intragável. Lembro um amigo meu dizendo à época que tinha gostado mais de “Fred vs Jason”, um crossover trash dos dois clássicos personagens de terror, do que da última parte da trilogia de Matrix. E o mais triste era que ele estava certo.

 

About De olho na 7ª arte

Jonathan Miranda é carioca, mas não gosta de praia e ama frio. Criador e gestor do portal PlayStorm, jornalista por formação, amante da 7ª arte e apavorado por estar chegando aos 30 anos.

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