Filmes de terror que são um terror

Normalmente, filme de terror desperta dois sentimentos nas pessoas: amor ou ódio. Eu, particularmente, tendo a experimentar o segundo. Mas confesso que o que tem predominado é o limiar entre um e outro, a famosa indiferença.

Tento buscar na memória um filme que tenha me agradado tecnicamente. Pois, independente de ser o gênero que menos gosto, sempre confiro os lançamentos (nunca no cinema, o festival de “gritinhos” histéricos me irrita bastante). Um show de atuações péssimas, erros de continuidade, clichês gigantescos e finais horrorosos. Sendo sincero, o último filme que me agradou foi Jogos Mortais (o primeiro). E sim, somente o primeiro. Todos os outros são bem fracos, na minha opinião é claro.

Eu entendo quem gosta do estilo, de verdade. Tem gente que realmente se impressiona com as cenas, se assusta mesmo. E essa tensão é bastante agradável, pois libera endorfina, substância que proporciona uma rara sensação de prazer. Mas eu não tomo sustos, tão pouco sinto “medo”. Jogos de vídeo game com as mesmas temáticas são bem mais assustadores e tensos (de verdade). Algum leitor aqui, de verdade, já sentiu medo com “A Hora do Pesadelo”? Ou então com “Brinquedo Assassino”? Não tem como, é tudo muito piegas, clichê.

Eu acho, sinceramente, que a busca por sustos e imagens impressionantes é tão grande que acabam se esquecendo do básico de um filme: roteiro, casting e continuidade. O roteiro tem que ser retilíneo, sem “buracos” ou “furos”. O casting (elenco) tem de ser coeso, com atuações que convençam de verdade, o que em filmes do gênero é ainda mais difícil. É muito complicado o ator/atriz transitar entre o desespero e a incredulidade que o tema exige com suas histórias. E quase sempre o resultado é ruim. E a dita continuidade, que nada mais é do que o famoso “começo, meio e fim” é outro desafio. Por ser muitas vezes uma história fantasiosa, com monstros, demônios, entidades e afins, você conseguir fechar um arco contando a história de algo que “não existe” em 2h, 2h30min de filme fica muito complicado. Normalmente se corre com o meio, deixando coisas sem explicar e isso gera os já falados buracos no roteiro. Tudo uma grande bola de neve assustadora.

Para não dizerem que eu sou chato (apesar de ser, admito), indico alguns bons filmes do gênero para vocês. O supra citado Jogos Mortais, O Exorcista (1973) e o fantástico  O Iluminado (1980), de Stanley Kubrick. Esse último, baseado na obra de Stephen King, foi brilhantemente adaptado para o cinema, inclusive com um final diferente e muito melhor que o do livro.

About De olho na 7ª arte

Jonathan Miranda é carioca, mas não gosta de praia e ama frio. Criador e gestor do portal PlayStorm, jornalista por formação, amante da 7ª arte e apavorado por estar chegando aos 30 anos.

Check Also

Estabelecer os limites em sala de aula favorece o aprendizado

Como ter autoridade em sala de aula sem ser autoritário? Segundo a psicopedagoga Ester Chapiro*, …

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado.