O riso de Anderson Gago

(Fotos: Arquivo Anderson Gago/ProFrame)

De arquivista à humorista. Da solidez do mercado de trabalho aos risos garantidos de uma plateia que recebeu e aplaudiu um carioca para lá de engraçado de braços abertos. E assim Anderson Gago também recebeu a reportagem do Portal O Rio. De braços abertos, o carismático Gago contou, em entrevista exclusiva ao portal, o início de tudo – desde a demissão em uma empresa até o próximo show no Rio, que vai acontecer no próximo dia 21 em São Gonçalo. Leia, mas com muito bom humor…

De onde surgiu a ideia de ser um humorista? Como foi isso?
Na verdade, aconteceu. Em 2009 eu tava passando por um momento muito difícil e como não tinha dinheiro para fazer terapia e nem para encher a cara, resolvi escrever textos como forma de ocupar a cabeça. Eu escrevia e filmava para ver como é que estava ficando. Sempre despretensiosamente, inclusive porque até aquele momento eu nunca tinha estudado teatro, e nem cogitava subir num palco. Um dia um amigo viu, deu risada e disse que estava bom. Descobri nessa época um grupo que abria espaço para Open Mics (Humoristas iniciantes) e resolvi apostar! Fiz uma vez, duas… E nunca mais parei.

Quais foram as maiores dificuldades?
A maior dificuldade é a valorização do trabalho. Quando você não está na grande mídia a tendência é não respeitarem seu trabalho. Mesmo já conhecendo, já tendo assistido, é difícil fazer valer.

Você trabalhava em empresas. Como foi tomar a decisão de largar tudo e viver do humor? Quando exatamente isso aconteceu?
Quando fui demitido da última vez (risos). Eu já pensava muito nisso. Estava trabalhando em um lugar muito ruim e óbvio que comecei a me questionar. Quando me demitiram resolvi encarar, vi como um “sinal”.

Como foi a reação da sua família? Em geral é sempre um grande desespero quando um filho ou o marido resolver largar tudo para viver de música, poesia ou humor no Brasil…
Desconfiança… Medo… Esses foram os sentimentos. Até o momento em que eu decidi viver disso era tudo muito lindo, só elogios, muitas flores… Mas hoje escuto “olha, eu vi que abriu vaga de emprego em tal lugar…”. A sensação que eu tenho é que o trabalho só é digno quando é feito em horário comercial, batendo o ponto, assinando carteira… Se eu ganho o mesmo que alguém que trabalhou o mês todo, de 8h às 17h, em dois ou três eventos, o meu é menos, digno. E não deveria ser…

Há alguma situação engraçada ou inusitada em show ou mesmo no dia a dia ligado à sua profissão para contar?
Várias… Uma vez, em um show, passei a apresentação inteira mexendo com um careca na plateia. No final ele tava me esperando. Achei que ia ser agredido. Fui até ele, estendi a mão e ele apertou minha mão e me perguntou: “conhece minha esposa, lembra dela?”. Olha, tudo passou pela minha cabeça em três segundos, mas antes que eu respondesse ela abriu um sorriso e disse: “Tia Valéria, te dei aula na 1ª série!”  Foi muito legal. Marcante. Quase chorei…

Como é sua relação com os fãs?
É boa. São poucos… Eu sou mais acessível do que um cara mega famoso, questões óbvias (risos), então a gente acaba ficando amigo.

O humorismo em uma palavra…
Risadas

Resuma sua trajetória na carreira. Diga sobre participações importantes, classificações ou prêmios conquistados se for o caso.
Como já faço isso há cinco anos, já me apresentei com todo mundo, Diogo Portugal, Rafinha Bastos, Paulo Carvalho, Comédia em Pé… Acho que no eixo Rio-São Paulo já fiz show em todos os lugares, até no Comedians (O bar do Danilo Gentili e do Rafinha Bastos). Prêmios… Acho que eu nunca ganhei nada, sou um fracasso nesse quesito… Esse ano cheguei na final do Risadaria, o Campeonato Brasileiro de Stand Up. Foi legal participar! Mas, sinceramente… Ninguém que ganha concursos, reality shows, se dá bem na carreira. Acho que eu ‘tô’ no caminho certo não ganhando nada (risos)…

About Bianca Garcia

Co-fundadora do Portal O Rio, Bianca Garcia administra, edita e produz conteúdo para o site e para as redes sociais. Com experiência em jornal impresso e mídia social, a jornalista formada pela FACHA é também graduanda de Letras/Literatura pela UFF e pós-graduanda em Gestão Estratégica da Comunicação pelo IGEC.

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